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Padrão alimentar regular e manutenção do peso corporal

O padrão alimentar pode ter um impacto sobre o metabolismo e, portanto, sobre a saúde. No entanto, o número de estudos que avaliaram os efeitos de um padrão alimentar irregular sobre o metabolismo energético, em adultos, são poucos. Vários estudos experimentais têm mostrado que comer de forma instável (números diferentes de refeição em cada dia) está associada a alterações potencialmente deletérias sobre o metabolismo lipídico e de carboidratos. O gasto energético pós-prandial também pode variar e pode levar ao ganho de peso e favorecer o desenvolvimento da obesidade. Estudo realizado na Inglaterra (“Influência da constância do padrão de refeição diário no gasto energético pós-prandial em mulheres de peso saudável”) investigou o efeito da frequência de refeições irregulares sobre o gasto energético pós-prandial e medidas antropométricas em 11 mulheres saudáveis. Foi realizado um estudo randomizado cruzado com duas fases de 2 semanas cada. Na Fase 1, as participantes consumiram uma refeição padrão regular (6 refeições ao dia) ou um padrão irregular de alimentação (variando de 3 a 9 refeições por dia). Na Fase 2, os participantes seguiram o padrão refeição alternativa ao que se seguiu na Fase 1, após um período de washout de 2 semanas. Nas duas fases, alimentos idênticos foram fornecidos a um participante em quantidades destinadas a manter o peso corporal constante. Os participantes realizaram exames laboratoriais após uma noite de jejum no início e no final de cada fase. A taxa metabólica basal (TMB) foi avaliada por calorimetria indireta, em jejum durante a noite e durante o período de 3 horas após o consumo de um shake, bebida teste. Não houve mudanças significativas no peso corporal e as medidas antropométricas após ambas as intervenções de refeição padrão. Também não houve diferença significativa na ingestão média de energia diária entre o padrão refeição regular e irregular (2043 ± 31 e 2099 ± 33kcal / dia, respectivamente). A TMB não apresentou diferenças significativas ao longo das fases. No entanto, houve uma diferença significativa no gasto energético pós-prandial (medido por 3 h) por visita (P = 0,04). O gasto energético pós-prandial após o refeições regulares era significativamente maior do que no baseline (25, 8 ± 6,8 e 17, 5 ± 8, 9 kcal, respectivamente; P = 0,002) e superior ao gasto energético após padrão alimentar irregular (14,8 ± 11,7 kcal; P = 0,04). Comer regularmente por um período de 14 dias, aumenta significativamente o gasto energético pós-prandial que pode contribuir para a perda de peso e controle de obesidade, mas são necessários mais estudos em participantes obesos.

Estudo semelhante realizado na coorte do nascimento da Finlândia (“Frequência das refeições modifica o efeito de variantes genéticas comuns ao índice de massa corporal em adolescentes na coorte de nascimentos do norte da Finlândia de 1986”) avaliou da mesma forma o efeito do padrão de refeições sobre a susceptibilidade genética para o aumento do índice de massa corporal (IMC) em adolescentes. Oito variantes genéticas que representam a susceptibilidade à obesidade foram genotipados em 2215 meninos e 2449 meninas com 16 anos. Um escore de risco genético foi calculado para cada um deles. For coletados peso, altura e dados dietéticos. Em indivíduos que realizavam refeições irregulares, aqueles com alto escore apresentaram IMC 0,9 Kg/m2 superior aos de, menor escore. Enquanto em indivíduos com refeições regulares a diferença foi de apenas 0,32 Kg/m2 . O efeito dos alelos de risco foi quase três vezes maior nos comedores irregulares comparado a comedores regulares. O estudo demonstrou que o consumo regular de cinco refeições atenuou o efeito dos genes que comumente afetam o IMC de adolescentes.

Estes dois artigos, portanto, enfatizam a importância do consumo alimentar regular. Tendo em vista, a epidemia de obesidade, o estimulo ao consumo alimentar regular pode ter impacto importante na saúde pública.

Referência: M. Alhussain, M. A. Taylor and I. A. Macdonald. Influence of the constancy of daily meal pattern on postprandial energy expenditure in healthy weight women. Proceedings of the Nutrition Society (2015), 74 (OCE1), E141.

Referência: Jääskeläinen A, Schwab U, Kolehmainen M, Kaakinen M, Savolainen MJ, Froguel P, Cauchi S, Järvelin MR, Laitinen J. Meal frequencies modify the effect of common genetic variants on body mass index in adolescents of the northern Finland birth cohort 1986. PLoS One. 10;8(9):e73802.

Diferenças entre gêneros nas relações entre massa corporal magra, massa gorda e pico de massa óssea em jovens adultos

Massa corporal magra tem sido relacionada positivamente à massa óssea em diferentes faixas etárias. Possivelmente, ela reflete os efeitos mecânicos do musculo no osso associado à genética, estilo de vida e atividade física. Com relação a massa gorda, os achados são menos consistentes, pois os mecanismos que relacionam gordura e massa óssea são mais complexos. Poucos estudos avaliaram a associação de massa magra e gordura corporal com o pico de massa óssea em adultos jovens. Neste sentido, este estudo realizado na Austrália se propôs avaliar as relações entre massa magra, massa gorda e massa óssea em adultos jovens entre 19 e 22 anos. Comparando ainda as diferenças entre os gêneros, tendo em vista as diferenças marcantes de composição corporal entre homens e mulheres.

Participaram do estudo 574 mulheres e 609 homens que participavam originalmente do estudo West Australian Pregnancy Cohort (Raine). Estes indivíduos foram submetidos a absorciometria por dupla emissão de raios-x (DXA). A partir da DXA foram avaliados conteúdo mineral ósseo total, área óssea e densidade mineral óssea. Além de medidas de massa gorda e massa magra.

Como resultados, o estudo identificou que a massa magra corporal apresentou forte associação positiva com conteúdo mineral ósseo e com densidade mineral óssea. Sendo responsável por variação em torno de 9,9% a 34,5% nestes parâmetros, com maior proporção de variação no gênero masculino. O estudo identificou diferenças entre gêneros para as associação entre massa gorda e pico de massa óssea. A massa gorda em mulheres esteve fortemente associada com pico de massa óssea, sendo responsável por 12,6% e 3,9% da variação de conteúdo mineral ósseo e densidade mineral óssea, respectivamente. Enquanto, em homens esta variação para os dois parâmetros foi menor de 2%. A massa de gordura do tronco, utilizada como medida de gordura visceral, apresentou uma associação negativa com conteúdo mineral ósseo em ambos os gêneros.

Deste modo, o estudo confirmou associação positiva entre massa gorda e pico de massa óssea em mulheres jovens. No entanto, as relações diferiram entre compartimentos de gordura, com gordura visceral associada a menor conteúdo mineral ósseo. Em homens jovens, a massa gorda não demonstrou ser um determinante importante do pico de massa óssea, mas semelhante associação negativa com gordura visceral foi observada.

Os autores concluem que além dos efeitos metabólicos, o menor conteúdo de gordura visceral desde a tenra idade contribui para a integridade do tecido esquelético e prevenirá fraturas. Assim, atividade física e nutrição adequada devem ser estimulados na juventude em ambos os sexos para favorecer o pico de massa óssea.

Referência: Zhu K, Briffa K, Smith A, Mountain J, Briggs AM, Lye S, Pennell C, Straker L, Walsh JP.Gender differences in the relationships between lean body mass, fat mass and peak bone mass in young adults. Osteoporos Int. 2014 May;25(5):1563-70.

Segundo a OMS, a DXA é a técnica mais importante e validada para a avaliação da densidade mineral óssea. Venha conhecer sua densidade óssea, sua massa magra e sua massa gorda no NutriHS. Esta é uma oportunidade única para realizar este exame tão complexo e completo.

Mudanças na ingestão de frutas e legumes e alteração de peso em homens e mulheres dos Estados Unidos acompanhados por até 24 anos: análise de três estudos de coorte prospectivos

De acordo com estudo publicado na revista PLoS Medicine, o aumento do consumo de frutas e vegetais sem amido é inversamente associado com a mudança de peso corporal. O estudo longitudinal, realizado a partir das coortes de profissionais da saúde (The Health Professionals Follow-up Study – HPFS) e do estudo de saúde das enfermeiras I e II (The Nurses’ Health Study -NHS and The Nurses’ Health Study II - NHS II) mostra diferenças por tipo de fruta ou vegetal, sugerindo que as características desses alimentos influenciam a força de sua associação com a mudança de peso.

As recomendações dietéticas dos EUA (Dietary Guidelines for Americans - 2010) recomendam que adultos e crianças devem ingerir uma variedade de frutas e legumes para ajudá-los a atingir e manter um peso saudável e reduzir o risco para doenças crônicas. Neste estudo, Bertoia e colaboradores examinaram as associações entre as alterações no consumo de frutas e legumes específicos através de questionários de frequência alimentar semi-quantitativo e alterações de peso auto-relatados em 133,468 homens e mulheres norte-americanas acompanhados por até 24 anos nas três coortes avaliadas.

Após o ajuste para estilo de vida, como tabagismo e atividade física, um aumento da ingestão de frutas e de vários vegetais foi associado com redução de peso em 4 anos (- 0,24 kg para cada porção diária extra de frutas e - 0.14 kg para porção de vegetais). Os benefícios do aumento do consumo foi maior para as frutas do que para os legumes e mais forte para berries, maçãs e peras, tofu e soja, couve-flor, e crucíferos e folhas verdes legumes. Aumento da saciedade com menos calorias poderia ser parcialmente responsável pelos efeitos benéficos do aumento da ingestão de frutas e vegetais. No entanto, vegetais ricos em amido, por exemplo ervilhas, milho e batatas, foram associados com o ganho de peso. Observou-se que legumes com maior fibra e menor carga glicêmica se associaram mais fortemente com redução de peso em comparação aqueles com menor quantidade de fibras e maior carga glicêmica.

Estes resultados podem não ser generalizáveis, já que quase todos os participantes foram bem-educados adultos brancos. Além disso, o uso de questionários dietéticos e medição de peso auto-relatados podem ter introduzido erros de medição para este estudo. Contudo, o estudo seguiu uma amostra com mais de 100mil indivíduos por um longo período de tempo (24 anos), permitindo ajustes e aumentando o poder estatístico, o que fortalece a evidência científica.

Nas três coortes, o aumento do consumo de todas as frutas e da maioria dos vegetais não foi associada ao ganho de peso. Embora a magnitude da mudança de peso associado a cada aumento da porção tenha sido modesto, vale lembrar que muitas pessoas acham que é extremamente difícil perder peso e a manutenção do peso, em relação ao ganho de peso, é uma meta importante, principalmente quanto se considera a saúde da população em geral.

Assim, os resultados apoiam a hipótese de que o aumento do consumo de frutas e vegetais, especialmente aqueles com baixo teor de amido, pode prevenir o ganho de peso a longo prazo. Identifica-se que as características destes alimentos, especialmente quantidade de fibras e amido influenciam na magnitude de sua relação com a mudança de peso ao longo do tempo.

Referência: Bertoia ML, Mukamal KJ, Cahill LE, Hou T, Ludwig DS, Mozaffarian D, Willett WC, Hu FB, Rimm EB.Changes in Intake of Fruits and Vegetables and Weight Change in United States Men and Women Followed for Up to 24 Years: Analysis from Three Prospective Cohort Studies. PLoS Med. 2015 Sep 22;12(9):e1001878.

Consumo de frutas frescas e as principais doenças cardiovasculares na China

Sabe-se que o consumo de frutas está relacionado a maior risco cardiovascular na população ocidental. Porém, até o momento não havia sido estudada a relação entre o consumo de frutas frescas e doenças cardiovasculares na China. Destaca-se a importância deste estudo, em vista das altas taxas de doenças cardiovasculares na China, em especial o acidente vascular cerebral.

Neste sentido, pesquisadores recrutaram 512.891 adultos durante 4 anos. Foram recrutados indivíduos tanto de áreas rurais quanto de áreas urbanas da China. Foram aplicados questionários abordando dados sociodemográficos, tabagismo, consumo de álcool, dieta, atividade física, história médica. Foram avaliados pressão, altura, peso, circunferência da cintura e glicemia. A dieta foi avaliada através de questionário de frequência alimentar referente aos últimos 12 meses que incluía 12 grupos de alimentos.

Em 2008 e entre 2013 e 2014 ocorreram as posteriores reavaliações de 5 a 6% da amostra. Periodicamente o estado de saúde dos participantes foi acompanhado através do sistema de vigilância de doenças e os dados de doença cardiovascular coletados.

Como resultados, 18% dos participantes relataram consumir frutas frescas diariamente. Em comparação aos que nunca ou raramente consumiam frutas frescas, aqueles que as consumiram diariamente apresentaram menor pressão arterial e menores níveis de glicose. As taxas de risco obtidas demonstraram menor risco tanto para morte por doença cardiovascular quanto para o risco referente os principais eventos coronários, ao acidente vascular cerebral isquêmico e ao acidente vascular cerebral hemorrágico em indivíduos que consumiam frutas frescas diariamente,. Houve também, forte relação dose-resposta entre a incidência do evento e a quantidade de fruta fresca consumida.

Assim, os pesquisadores concluíram que o nível de consumo de frutas frescas na China esteve relacionado inversamente com a pressão arterial e os níveis de glicose no sangue. E o maior consumo de frutas esteve associado a um risco significativamente menor para eventos cardiovasculares.

Referência: Du H, Li L, Bennett D, Guo Y, Key TJ, Bian Z, Sherliker P, Gao H, Chen Y, Yang L, Chen J, Wang S, Du R, Su H, Collins R, Peto R, Chen Z; China Kadoorie Biobank Study. Fresh Fruit Consumption and Major Cardiovascular Disease in China. N Engl J Med. 2016 Apr 7;374(14):1332-43.

PREVENÇÃO PRIMÁRIA DA DOENÇA CARDIOVASCULAR COM UMA DIETA MEDITERRÂNEA

A dieta mediterrânea caracteriza-se por uma elevada ingestão de azeite de oliva, frutas, oleaginosas, legumes e cereais; uma ingestão moderada de peixes e aves e uma baixa ingestão de produtos lácteos, carnes vermelhas, carnes processadas e doces; e vinho com moderação, consumido com as refeições.

Alguns estudos já demostraram que a aderência à dieta mediterrânea pode estar relazionada a beneficos no que diz respeito ao risco cardiovascular. Para testar a eficácia de duas dietas mediterrânicas na prevenção cardiovascular primária, pesquisadores realizaram um estudo randomizado, no qual um grupo recebendo essa dieta foi suplementado com azeite extra-virgem e o outro com oleginosas, sendo comparados com um grupo com dieta controle (que recebeu aconselhamento sobre uma dieta de baixa gordura).

Os participantes elegíveis eram homens (55 a 80 anos) e mulheres (60 a 80 anos), sem doença cardiovascular no início do estudo, que tiveram ou diabetes mellitus tipo 2 ou, pelo menos, três dos seguintes fatores de risco principais: tabagismo, hipertensão , níveis elevados de LDL-colesterol, baixos níveis de HDL-colesterol, excesso de peso ou obesidade, ou uma história familiar de doença coronária prematura.

Não houve restrição calórica aconselhada, nem a promoção de atividade física. Para os participantes nos grupos com dieta mediterrânea, houve acompanhamento com nutricionistas e em cada sessão foi realizada um score com 14 itens para avaliar a adesão à dieta mediterrânea. Os participantes com dieta controle também receberam atendimento com a mesma frequência e intensidade e responderam um score com 9 itens para avaliação da adesão a dieta. Todos os participantes também responderam a um QFA proposto.

Biomarcadores como os níveis de hidroxitirosol urinário (para confirmar a adesão no grupo que recebeu o azeite extra-virgem) e os níveis plasmáticos de ácido alfa-linolénico (para confirmar a adesão no grupo que recebeu oleaginosas), foram medidos em sub-amostras aleatórias de participantes.

O desfecho primário incluiu infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e morte por causas cardiovasculares. Os desfechos secundários foram acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, morte por causas cardiovasculares e morte por qualquer causa.

Os participantes dos três grupos relataram adesão semelhante à dieta do Mediterrâneo no início do estudo. Posteriormente, os dois grupos com dieta mediterrânea tiveram uma boa adesão à intervenção de acordo com a ingestão autorelatada e análises de biomarcadores.

Desfechos primários ocorreram em 288 participantes. As taxas de risco multivariáveis ajustados foram de 0,70 (IC 95%: 0,54 a 0,92) e 0,72 (IC 95%: 0,54 a 0,96) para o grupo com dieta mediterrânica com azeite de oliva extra-virgem (96 eventos) e para o grupo com uma dieta mediterrânica com oleaginosas (83 eventos), respectivamente, em relação ao grupo controle (109 eventos).

Assim os autores concluíram que entre as pessoas com alto risco cardiovascular, uma dieta mediterrânea suplementada com azeite de oliva extra-virgem ou oleaginosas reduz a incidência de eventos cardiovasculares.

Referência: Estruch R, Ros E, Salas-Salvadó J, Covas MI, Corella D, Arós F, Gómez-Gracia E, Ruiz-Gutiérrez V, Fiol M, Lapetra J, Lamuela-Raventos RM, Serra-Majem L, Pintó X, Basora J, Muñoz MA, Sorlí JV, Martínez JA, Martínez-González MA; PREDIMED Study Investigators. Primary prevention of cardiovascular disease with a Mediterranean diet. N Engl J Med. 2013 Apr 4;368(14):1279-90.

MOTOR PRINCIPAL OU COMPANHEIRO DE VIAGEM: 25-HIDROXIVITAMINA D: VARIAÇÃO SAZONAL, DOENÇA CARDIOVASCULAR E MORTE NA COORTE DE EXTENSÃO ESCOCESA DE SAÚDE DO CORAÇÃO (SHHEC)

Recentemente, o debate sobre os baixos níveis populacionais de vitamina D causarem doença óssea está estimulando grandes estudos de coorte, análises e ensaios clínicos e estudos randomizados. Pesquisas já realizadas nesse sentido, até agora, produziram resultados inconclusivos.

Em 1981, Scragg propôs que os picos de doenças cardiovasculares e mortes no inverno em países temperados foram causados por hipovitaminose D.

Após derivar três postulados da hipótese de sazonalidade, os autores a testaram em uma coorte escocesa com longo tempo de seguimento, examinando os critérios de Hill (especificidade, temporalidade, força de associação e gradiente) de causalidade entre a vitamina D, doença cardiovascular e mortalidade.

Os três postulados para testar a hipótese de sazonalidade foram:

  1. Desfechos, (Primeiro Evento Cardiovascular, todas as Morte e Morte Cardiovascular), enumerados por mês de calendário da ocorrência, refletem inversamente as oscilações sazonais de 25-hidroxivitamina D no recrutamento.
  2. Ter baixas concentrações de vitamina D no inverno aumenta a susceptibilidade a desfechos.
  3. Níveis de 25OHD são preditivos de desfechos, independentemente de outros fatores de risco.

Os dados desse estudo foram retirados da Coorte estendida de Saúde do Coração dos Escoceses (SHHEC), do estudo MORGAN de Biomarcadores (Monica, Risco, Genetics, Arquivamento e Monografia) e do BiomarCaRE (Biomarcadores para a Avaliação de Risco Cardiovascular na Europa).

Os autores encontraram que houve variação sazonal como previsto: Concentrações médias de vitamina D mensais foram duas vezes maiores em agosto (verão na Escócia) do que em março (Inverno na Escócia).

Além disso, o estudo também mostrou que a vitamina D ajustada por estação do ano é um modesto preditor não específico de muitos desfechos primários e secundários, sendo esse efeito fortemente atenuado pelo ajuste para fatores de risco.

Quanto às análises de sazonalidade, mostram que a oscilação anual da 25OHD não tem nenhum impacto aparente na incidência dos primeiros eventos cardiovasculares, e procede ao invés de preceder o aumento de todas as mortes e mortes cardiovasculares.

Não houve maior susceptibilidade a eventos de desfecho naqueles com baixo teor de vitamina D nas estações de baixa concentração de vitamina D, como era previsto pelo conceito de hipovitaminose D.

Em conclusão, neste estudo a vitamina D falhou em dois de três dos postulados testados e foi limítrofe para o terceiro. Assim, os autores concluem que as analises realizadas desafiam o suposto papel da vitamina D como principal força motriz na doença cardiovascular e mortalidade, sendo necessários mais estudos a respeito.

Referência: Tunstall-Pedoe H, Woodward M, Hughes M, Anderson A, Kennedy G, Belch J, et al. Prime mover or fellow traveller: 25-hydroxy vitamin D’s seasonal variation, cardiovascular disease and death in the Scottish Heart Health Extended Cohort (SHHEC). Inter j epidemiol 2015; 44 (5): 1602-1612.

A VITAMINA D EM PREMATUROS: UM ESTUDO OBSERVACIONAL PROSPECTIVO

Recém nascidos prematuros têm um risco aumentado de deficiência de vitamina D, o que pode ser resultado tanto da deficiência materna como da suplementação inadequada. A deficiência dessa vitamina está associada a várias consequências para a saúde do recém-nascido, incluindo doença óssea, retardo de crescimento e distúrbios eletrolíticos. Porém, a quantidade e a eficácia da suplementação de vitamina D em bebês prematuros ainda não são claras.

Assim, os autores desse estudo tiveram como objetivo avaliar o histórico do status de vitamina D de prematuros e a eficácia das práticas nutricionais que cumprem as recomendações de suplementação atuais. Para isso, os pesquisadores realizaram um estudo prospectivo observacional na Unidade Neonatal do Hospital da Mulher e da Criança, Adelaide. As crianças inscritas receberam um protocolo de alimentação padronizada, com ênfase na suplementação de vitamina D.

Foram inscritas na pesquisa vinte e oito crianças nascidas entre 30 e 36 semanas de gestação.

Os resultados encontrados mostraram uma diminuição significativa na proporção de crianças deficientes ao final do estudo, com elevação dos níveis séricos de vitamina D. Nenhum dos participantes apresentou qualquer sinal de toxicidade associada à vitamina. Estes dados demonstram a eficácia do protocolo de nutrição, que provavelmente estão relacionados com a suplementação de vitamina D.

Esse foi o primeiro estudo australiano avaliar o status de vitamina D em prematuros, e demonstrou que práticas nutricionais atuais, associadas à suplementação nutricional são eficazes para atingir a suficiência desta vitamina. Resultando em diminuição significativa da proporção de recém-nascidos prematuros considerados deficientes em vitamina D.

Referência: Pinto K, Collins CT, Gibson RA, Andersen CC. Vitamin D in preterm infants: A prospective observational study. Journal of paediatrics and child health 2015; 51(7): 679-681.

Associação entre tipo de dieta e microbiota fecal em vegetarianos e onívoros na Eslovênia

Pesquisadores da Eslovênia avaliaram as diferenças na composição de microbiota fecal entre diferentes padrões alimentares de longo prazo: Onívoros, Veganos e Lacto-vegetarianos.

Participaram do estudo 31 vegetarianos (11 lacto-vegetarianos e 20 veganos) e 29 onívoros. Foi analisada a composição da microbiota através de amostra fecais. O DNA bacteriano foi extraído, purificado e analisado por Real-time PCR (V3, 16S rRNA). Foram coletados ainda características demográficas, hábitos alimentares e estado de saúde dos participantes através de questionário.

Verificou-se que a dieta vegetariana se associou com maior proporção de Bacteroides-Prevotella, Bacteroides thetaiotaomicron, Clostridium clostridioforme e Faecalibacterium prausnitzii e com menor proporção de Clostridium XIVa cluster.

Observou-se ainda, maior concentração e proporção de Enterobacteriaceae nos participantes do sexo feminino, redução de Bifidobacterium com o aumento da idade e correlação negativa entre Enterobacteriaceae e peso corporal.

Vegetarianos apresentaram menor quantidade relativa de certos grupos de bactérias (Bifidobacterium, Streptococcus, Collinsella e Lachnospiraceae) e superior do grupo Subdoligranulum. Observou-se a presença de representantes comuns de microbiota fecal em todos os avaliados, sendo eles: Bacteroides, Eubacterium, Faecalibacterium, Ruminococcaceae, Bifidobacterium e Lachnospiraceae. A dieta vegetariana explicou até 4% de variância na comunidade microbiana analisada, este valor reduzido, segundo os pesquisadores se deve a grande variedade microbiana individual.

Assim, verifica-se que ainda há muito que se conhecer sobre o efeito da dieta e a composição da microbiota fecal. Parece existir grande variação individual e provavelmente variação em função da localização demográfica. Neste sentido, mais estudos no Brasil são necessário. Venha participar do NutriHS e contribuir para a pesquisa sobre microbiota fecal no Brasil.

Referência: Matijašic BB1, Obermajer T, Lipoglavšek L, Grabnar I, Avguštin G, Rogelj I. Association of dietary type with fecal microbiota in vegetarians and omnivores in Slovenia. Eur J Nutr. 2014 Jun;53(4):1051-64.

Diferentes circuitos codificam o sistema hedônico e os valores nutricionais do açúcar

O açúcar afeta o comportamento alimentar através de vias gustativas e de mecanismos pós-ingestão. Porém, não estão claros ainda os mecanismos neurais que afetam o duplo controle do açúcar sobre o comportamento. Compreender como as calorias modificam o efeito recompensa dos doces pode fornecer novas ferramentas para redução do consumo excessivo de açúcar.

Neste sentido, pesquisadores avaliaram se a distinção entre mecanismos gustatórios e pós-ingestão refletem a especialização de diferentes circuitos neuronais do estriado.

Através de experimentos com camundongos após a exposição a doces, a partir de açúcar ou de adoçantes sem caloria, os pesquisadores analisaram a liberação de dopamina na região do estriado. Comparou-se o efeito na região do estriado ventral (responsável pelo prazer – hedonia) e no estriado dorsal (reconhece o valor calórico do alimento).

Verificou-se que a dopamina aumentou no estriado ventral após a ingestão de qualquer tipo de adoçante (calórico ou não calórico). Ou seja, a região ventral é ativada pelo sabor doce, independente da composição nutricional. Porém, a região do estriado dorsal liberou dopamina apenas após a ingestão de açúcar. Assim, esta região parece ser sensível à caloria do alimento.

Ao modificarem o adoçante por uma substância amarga e ao mesmo tempo injetarem açúcar intragástrico, os pesquisadores verificaram que apenas o estriado dorsal aumentou a liberação de dopamina, em função do açúcar. Enquanto, a ausência do sabor fez com que o estriado ventral não liberasse o hormônio.

Então, a presença do açúcar, mesmo sem o sabor agradável, afeta o estriado. Assim, o desejo de ingestão parece partir das calorias e não do sabor doce apenas. O açúcar parece recrutar um circuito que prioriza energia, independente da qualidade do gosto.

Referência: Tellez LA, Han W, Zhang X, Ferreira TL, Perez IO, Shammah-Lagnado SJ, van den Pol AN, de Araujo IE. Separate circuitries encode the hedonic and nutritional values of sugar. Nat Neurosci. 2016 Mar;19(3):465-70. doi: 10.1038/nn.4224. Epub 2016 Jan 25.

Microbiota intestinal, probióticos e vitamina D: Exposições inter-relacionadas influenciando alergia, asma e obesidade?

Várias evidências têm mostrado o papel da colonização do intestino na promoção e manutenção da resposta imune durante o decorrer da vida. Uma composição da microbiota intestinal alterada ou menos diversificada tem sido associada às doenças atópicas, obesidade, ou ambos. Além disso, certos perfis de microbiota intestinal parecem inibir ou atenuar as respostas imunológicas associadas à inflamação crônica.

No entanto, ainda existem dúvidas sobre relação entre a microbiota intestinal neonatal e o desenvolvimento de doenças alérgicas (por exemplo, asma atópica) e obesidade. Existem alguns ensaios clínicos em humanos utilizando probióticos, mas nenhum deles demonstrou um efeito preventivo ou terapêutico consistente sobre asma ou obesidade.

Recentemente, evidências mostraram que a vitamina D pode ser importante na homeostase intestinal e na relação entre a microbiota e o hospedeiro. Porém, devido à complexidade da micriobiota intestinal, pesquisas adicionais são necessárias antes que se possa estabelecer se a sua manipulação no início da vida pode prevenir ou tratar a asma, a obesidade, ou ambos.

Para explorar tais associações, neste artigo os autores revisaram avanços da literatura na compreensão do desenvolvimento e propriedades imuno-moduladoras da microbiota intestinal e discutiram as evidências atuais para apoiar uma ligação entre a microbiota intestinal, doenças atópicas (como asma), e obesidade. Eles também avaliaram resultados de recentes ensaios com probióticos sobre asma e obesidade, fazendo um link entre a vitamina D, a asma, a obesidade, e a microbiota intestinal.

A asma e a obesidade são grandes problemas de saúde pública de países industrializados. Ambas se caracterizam por um estado de inflamação crônica e têm sido relacionadas em vários estudos. Essas doenças muitas vezes começam na infância, quando a microbiota intestinal está sendo desenvolvida. Nessa linha, estudos recentes encontraram uma relação entre a microbiota intestinal, doenças atópicas e obesidade, mostrando que fatores de fases precoces da vida (ou seja, dieta, medicamentos, higiene, antioxidantes e nutrientes) estão associados com asma, obesidade, ou ambos e podem alterar a microbiota intestinal. Porém, nesta revisão não foi encontrado nenhum estudo longitudinal que avaliasse a microbiota intestinal e o desenvolvimento de asma e obesidade.

Sabe-se que em humanos o trato gastrointestinal é estéril no nascimento, sendo que mútiplos fatores determinam a colonização do intestino. Essa colonização inicial é determinada pela flora materna ou bactérias do ambiente de parto, dependendo do tipo de parto. O tipo de alimentação instituída no início de vida (aleitamento ou fórmula) também influencia a colonização do intestino neonatal. Dada a estabilidade do processo de colonização intestinal no início da vida, qualquer perturbação deste processo pode afetar a microbiota e a sua função, que potencialmente afetam a saúde do indivíduo. A partir dos estudos, os pesquisadores concluiram que a colonização microbiana é importante na promoção e manutenção de uma resposta imunológica equilibrada.

A deficiência de vitamina D é bastante comum, e tem sido associada com chiado no início da vida, redução do controle da asma, e aumento do índice de massa corporal. Essa vitamina tem, ainda, propriedades de modulação imunológica, sendo capaz de inibir a inflamação e infecções e, portanto, pode ser importante na formação inicial da microbiota intestinal (uma vez que o intestino é um importante sitio do sistema imunológico), além de ser possível que o status de vitamina D modifique o efeito da microbiota intestinal no sistema imune. Por tanto, os estudos que acompanham o efeito da microbiota na inflamação precisarão levar em consideração a disponibilidade de vitamina D.

Segundo os pesquisadores ainda há muito o que ser estudado, sendo necessárias novas coortes que contemplem dados neonatais, maternos, respostas imunológicas e status de vitamina D para delinear o papel dessa vitamina na modulação da microbiota intestinal e no desenvolvimento e na prevenção de doenças alérgicas e obesidade.

Referência: Ly NP, Litonjua A, Gold DR, Celedón JC. Gut microbiota, probiotics, and vitamin D: interrelated exposures influencing allergy, asthma, and obesity? J Allergy Clin Immunol 2011; 127(5):1087–94.

Alta ingestão de fibras e baixa de amido estão associados com circulação de biomarcadores intermediários de diabetes tipo 2 em mulheres

A incidência de diabetes tipo 2 (DM2) tem aumentado progressivamente em todo o mundo. Alguns biomarcadores intermediários têm sido identificados com preditores de risco para DM2, dentre eles a adiponectina reduzid e valores elevados de proteína-C Reativa (PCR) e hemoglobina glicosilada (HbA1c). Tais marcadores podem ajudar a detectar indivíduos que estão em maior risco de progressão para diabetes tipo 2. Sabe-se que a má qualidade de carboidratos está positivamente associada com risco para DM2, mas esta informação é limitada quanto à relação entre qualidade de carboidratos e estes biomarcadores intermediários em indivíduos livres de DM. Assim, pesquisadores da Harvard neste estudo avaliaram associações entre medidas de qualidade de carboidratos (ingestão total de carboidratos, consumo de amidos, índice glicêmico, carga glicêmica ingestão total de cereais, frutas e fibras vegetais; e diferentes combinações destes nutrientes) e concentração plasmática de adiponectina, PCR e HbA1c.

Esta foi uma análise transversal de 2458 mulheres livres de diabetes, com idades entre 43-70 anos, no Estudo de Saúde das Enfermeiras. As medidas de qualidade dos carboidratos foram estimadas a partir de questionários de frequência alimentar. Os biomarcadores tiveram sua concentração dosada no plasma. Vários modelos de regressão linear foram utilizados para avaliar as associações entre as medidas de qualidade dos carboidratos e biomarcadores.

A ingestão total de fibra apresentou associação positiva com adiponectina. Da mesma forma, a ingestão de fibras a partir de cereais se associou positivamente com adiponectina e negativamente com PCR. A ingestão de fibras a partir de frutas se associou inversamente com a concentração de HbA1c. Enquanto, a ingestão de amido foi negativamente associada com adiponectina . O maior índice glicêmico foi associado com menor adiponectina e maior HbA1c. E uma ingestão elevada da razão de carboidratos / fibras totais foi associada com menores valores de adiponectina . Na sequencia, a elevada razão de amido / fibras totais foi relacionada a uma menor concentração de adiponectina e maior concentração de HbA1c. Enquanto, a elevada razão amido / fibras de cereais se associou a menor concentração de adiponectina.

Em conclusão, verificou-se que dietas com maior ingestão de fibras e menor razão de ingestão de amido/fibra foram significativamente associados com concentrações mais elevadas de adiponectina e inferiores de HbA1c, mas apenas a ingestão de fibras a partir cereais foi associados, inversamente, com concentrações de PCR em mulheres livres de DM2. Pesquisas adicionais são necessárias para entender mecanismos subjacentes e causalidade das associações. Assim como, entender o potencial mecanismo destas associações na evolução precoce de DM2.

Referência: AlEssa HB, Ley SH, Rosner B, Malik VS, Willett WC, Campos H, Hu FB. High Fiber and Low Starch Intakes Are Associated with Circulating Intermediate Biomarkers of Type 2 Diabetes among Women. J Nutr. 2016 Jan 13. pii: jn219915.

Razão entre ácidos graxos poli-insaturados ômega 3 / ômega 6 e o risco de câncer de mama: uma meta-análise de 274135 mulheres adultas de 11 estudos prospectivos.

Embora o câncer de mama (CM) seja o câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo, há uma variação internacional em sua incidência. Observa-se uma maior incidência na América do Norte e Europa Ocidental, mas menor incidência na Ásia. A variação de padrões alimentares, especialmente a variação na ingestão de gordura é um fator dietético intimamente relacionado com o aumento da incidência de BC.

Com destaque para os ácidos graxos poliinsaturados (PUFAs - subtipos ω-3 e ω-6 ), pois podem influenciar o crescimento de células tumorais de mama. Portanto, o aumento da proporção ω-3/ω-6 pode ter um efeito protetor sobre o risco de CM. No entanto, as conclusões de estudos prospectivos ainda são controversas.

Neste estudo, pesquisadores da China avaliaram a relação entre a proporção ingestão de ω-3/ω-6 PUFAs e o risco de CM.

Estudos relevantes foram identificados através da Biblioteca Cochrane, PubMed e banco de dados EMBASE até abril de 2013. Foram elegíveis os estudos prospectivos que relataram as razões de risco multivariados para associações entre a proporção ω-3/ω-6 na dieta ou soro e o risco de CM.

Foram incluídos nesta análise, 6 estudos prospectivos de caso-controle e 5 de coorte, envolvendo 274.135 mulheres adultas de diferentes países e 8.331 eventos de CM. Observou-se que a população de mulheres oriundas da EUA, Europa e Ásia com maior proporção ω-3/ω-6 tem um risco significativamente menor de CM e que incremento de 1/10 desta proporção na dieta esteve associado a uma redução de 6% do risco CM. Em indivíduos dos EUA a maior proporção ω-3/ω-6 no soro se relaciona com menor risco de CM, neste grupo o incremento de 1/10 nesta proporção foi associado a uma redução de 27% do risco de CM.

Em resumo, os resultados desta meta-análise suportam a evidência de que o aumento da proporção da ingestão de ω-3/ω-6 atua para a prevenção de CM entre a população de mulheres oriundas dos EUA, Europa e Ásia. Esta evidência importante destaca a necessidade de programas de educação nutricional, enfatizando a necessidade de aumentar o consumo de alimentos ricos em ω-3 (alimentos marinhos) e redução do consumo de alimentos ricos em ω-6, melhorando a relação entre o consumo de ω-3/ω-6. O número de mulheres dos EUA foi limitado o que dificulta maiores conclusões para esta população. Ensaios clínicos são necessários para determinar se maior relação de ω-3/ω-6 terá efeitos benéficos sobre o risco de CM e se isso afetará o prognóstico de pacientes com CM.

Referência: Yang B, Ren XL, Fu YQ, Gao JL, Li D. Ratio of n-3/n-6 PUFAs and risk of breast cancer: a meta-analysis of 274135 adult females from 11 independent prospective studies. BMC Cancer. 2014 Feb 18;14:105.

Intervenções no estilo de vida para perda de peso em indivíduos diabéticos tipo 2 com sobrepeso ou obesidade: Uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados

A diabetes tipo 2 (DM2) atinge cerca de 8% dos adultos no mundo e, nos EUA cerca de 37% dos adultos apresentam pré-diabetes. Ambas as condições têm como principal fator de risco o sobrepeso e obesidade. Organizações nacionais e internacionais (American Diabetes Association, American Diet Association, etc) recomendam a perda de peso como principal estratégia para o controle glicêmico no DM2. Ensaios clínicos e estudos observacionais têm demonstrado que a terapia nutricional melhora o controle glicêmico e parâmetros metabólicos em indivíduos DM2. Porém, a perda de peso não é o objetivo central desses estudos. Em geral, como a doença progride e a deficiência de insulina evolui, o uso de hipoglicemiantes e insulina é adicionado à terapia nutricional para o melhor controle glicêmico. Rotineiramente as orientações para perda de peso são utilizadas, mas permanecem as incertezas sobre os benefícios desta intervenção para o controle glicêmico e de desfechos metabólicos.

Nesse sentido, em revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados pesquisadores avaliaram importantes questões a respeito da intervenção nutricional e de estilo de vida em indivíduos com DM2. A questão principal foi qual o efeito da intervenção no estilo de vida para perda de peso maior ou menor que 5% em 12 meses, em adultos DM2 com sobrepeso ou obesos, sobre a hemoglobina A1c (HbA1c). Como questões secundárias os pesquisadores avaliaram o resultado deste mesmo padrão de intervenção no perfil lipídico e pressão arterial. Assim como, quais são os resultados metabólicos e de perda de peso a partir de diferentes quantidades de macronutrientes em indivíduos com DM2.

O estudo incluiu ensaios clínicos randomizados com intervenções para perda de peso em adultos com DM2 com sobrepeso ou obesos, com um mínimo de 12 meses de duração, taxa de conclusão de 70% e dado de HbA1c no 12 mês. Onze ensaios com 6754 participantes preencheram os critérios do estudo.

Os dados de 17 grupos de estudos com perda de peso menor que 5% resultaram em alteração não significativa da HbA1c em comparação aos valores basais. Apenas dois estudos de intervenção relatando 5% de perda de peso aos 12 meses mostraram melhoras importantes na HbA1c. O padrão de dieta mediterrânea, em pacientes recentemente diagnosticados, mostrou redução importante na HbA1c aos 12 meses. Assim como a intervenção intensiva do Look AHEAD, com uma diminuição de 0,6% na HbA1c em 12 meses. O mesmo perfil foi observado para variáveis lipídicas e pressão sanguínea, ou seja, a perda de peso <5% não representou melhoras significativas nestes parâmetros metabólicos. E, novamente, apenas a intervenção com dieta mediterrânea e a intervenção intensiva do Look AHEAD melhoraram significantemente o perfil lipídico e a pressão sanguínea. Os dois estudos recomendaram a prática de atividade física e os participantes tinham contato frequente com profissionais da saúde (principalmente nutricionistas).

Com relação às diferentes composições de macronutrientes todos os cinco estudos analisados relataram que a perda de peso não diferiu estatisticamente entre os grupos. Para os efeitos das diferentes composições de macronutrientes sobre HbA1c, lipídios e pressão sanguínea, também, não foram observadas mudanças significativas nos 12 meses de estudo. Apesar de composição diferente, a ingestão calórica foi relativamente semelhante nos vários grupos de intervenção.

A partir destes resultados, os autores concluem que uma perda de peso de 5% ou mais é necessária para se alcançar benefícios sobre HbA1c, lipídios e pressão arterial. Os autores observaram que alcançar esta perda de peso requer intervenções intensas, com restrição calórica, atividade física regular e contato frequente com profissionais da saúde. Eles ainda destacam a dificuldade de intervenções com este padrão na prática de saúde pública atual, principalmente pela necessidade de intenso contato, como observado no Look AHEAD. Destacam por fim, que a terapia nutricional deve continuar a se concentrar principalmente no incentivo de um padrão alimentar saudável, com redução do tamanho das porções, redução da ingestão calórica e a prática regular de atividade física.

Referência: Franz MJ, Boucher JL, Rutten-Ramos S, VanWormer JJ. Lifestyle Weight-Loss Intervention Outcomes in Overweight and Obese Adults with Type 2 Diabetes: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Clinical Trials. J Acad Nutr Diet. 2015 Sep;115(9):1447-63.

Consumo de azeite e risco de diabetes tipo 2 em mulheres dos EUA

Diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é uma das mais prevalentes doenças crônicas no mundo. Estima-se que em 2035 atingirá cerca de 10% da população adulta do mundo. Evidências sugerem que o tipo de gordura dietética tem papel relevante no risco para DM2. A substituição de gordura saturada por poli e monoinsaturada tem mostrado ser benéfica para a prevenção de DM2. Neste contexto, destaca-se o azeite que tem sido relacionado à melhora de vários fatores de risco cardiometabólico, fato atribuído a sua alta quantidade de ácidos graxos monoinsaturados, principalmente ácido oleico. Resultados relevantes têm sido observados na população que consome dieta mediterrânea, mas questionam-se os benefícios do azeite para prevenção de DM2 em população de adultos fora da região do mediterrâneo.

Nesse sentido, os pesquisadores do Estudo de Saúde das Enfermeiras (Nurses`Health Study - NHS) realizaram estudo para avaliar a associação entre o consumo de azeite e a incidência de DM2 nesta população dos EUA. Para tanto, coletaram dados de seguimento de 59930 mulheres (37 - 65 anos), participantes dos NHS e NHS II, livres de diabetes, doenças cardiovasculares e câncer no baseline. Avaliaram a cada 4 anos a dieta, através de questionário de frequência alimentar, com a finalidade de identificar o padrão de consumo de azeite.

Ao longo dos 22 anos de seguimento, um total de 9652 casos de DM2 foram identificados. Através de modelos de regressão de Cox foi verificado que o risco de desenvolvimento de DM2 entre as mulheres que consumiram mais que 1 colher de sopa (>8g) de azeite ao dia comparado as que não consumiam foi de 0,9. O risco para aquelas que consumiam na salada 0,95 e 0,85 para aquelas que o adicionavam em outros alimentos ou pão. Ou seja, o uso de azeite reduziu o risco de DM2. Estimou-se, ainda, que a substituição de margarina, manteiga ou maionese por azeite reduziu o risco de DM2 em 5%, 8% e 15%, respectivamente.

Os autores concluíram que a maior ingestão de azeite apresentou efeitos favoráveis sobre a prevenção de DM2 mesmo em população com consumo relativamente baixo de azeito quando comparada a seus pares mediterrânicos. Assim, em um estudo de seguimento longo, usando medidas repetidas de dieta, o consumo maior de azeite esteve associado a um menor risco de DM2 em mulheres. Os autores enfatizam que a substituição de molhos de salada por azeite deve ser considerada para reduzir risco cardiometabólico em saúde pública. Propõem também, que novos estudos sejam feitos para avaliar o efeito de grandes quantidades e variedades específicas de azeite sobre o risco de DM2.

Referência: Guasch-Ferré M, Hruby A, Salas-Salvadó J, Martínez-González MA, Sun Q, Willett WC, Hu F. Olive oil consumption and risk of type 2 diabetes in US womenAm J Clin Nutr 2015 102: 2 479-486.

Consumo de prebióticos e a incidência de excesso de peso em uma coorte do mediterrâneo: Projeto de seguimento da Universidade de Navarra

O consumo de prebióticos (carboidratos fermentáveis e não digeríveis) tem sido proposto como um potencial fator protetor contra sobrepeso e obesidade. Crescente corpo de evidências tem apoiado um papel de fibra dietética com propriedades prebióticas na modulação de expressão gênica do hospedeiro e no metabolismo, através de mudanças na composição e atividade da microbiota intestinal. No entanto, não há estudos prospectivos avaliando a associação entre o consumo de prebióticos e a incidência de excesso de peso ou obesidade. Nesse sentido, pesquisadores da Espanha avaliaram em uma coorte prospectiva espanhola, o projeto SUN (Seguimento Universidade de Navarra), que inclui graduados universitários de meia idade com índice de massa corporal (IMC) inicial menor que 25Kg/m², a associação do consumo de prebióticos [frutanos (fructo-oligossacáridos e inulina) e e galacto-oligossacarídeos] e a incidência de excesso de peso (IMC ≥25 kg/m²).

A população do estudo abrangeu 8569 graduados em universidades espanholas, com idade média de 37 anos e livres de excesso de peso ou obesidade. O peso corporal foi auto-referido e coletado na linha de base e atualizado a cada 2 anos durante o acompanhamento. O consumo de frutanos e consumo de fructo-oligossacáridos foi avaliado através de um questionário de frequência alimentar semi-quantitativo que incluiu 136 itens e foi aplicado na linha de base e atualizado após 10 anos.

Durante o seguimento de 9 anos, 1964 casos de sobrepeso foram identificados. Após ajuste por potenciais fatores de confusão, o risco de sobrepeso foi 15% menor em participantes no quartil mais alto de consumo de frutanos. Indivíduos no quartil mais alto de fructo-oligossacáridos apresentaram risco 17% menor de excesso de peso. Além disso, os participantes no terceiro quartil de consumo total de prebióticos apresentaram menor risco de sobrepeso.

Assim, os autores concluem que o maior consumo de prebióticos esteve associado ao menor risco de excesso de peso em uma coorte de indivíduos espanhóis, adultos, de meia-idade e com peso inicial normal (<25 kg/m²). Estas descobertas apoiam a importância do consumo de prebióticos e seu efeito protetor contra o desenvolvimento da obesidade. Sendo útil para a prevenção e para a terapia nutricional no manejo da obesidade. Os autores enfatizam que mais estudos longitudinais são necessários para fortalecer estes resultados.

Referência: Perez-Cornago A, Martinez-Gonzalez MA, Ruiz-Canela M, Jaurrieta I, Carlos S, Sayon-Orea C, Bes-Rastrollo M. Prebiotic consumption and the incidence of overweight in a Mediterranean cohort: the Seguimiento Universidad de Navarra Project. Am J Clin Nutr. 2015 Nov 11. pii: ajcn121202. [Epub ahead of print]

Deveríamos receitar cálcio ou de vitamina D para tratar ou prevenir a osteoporose?

A ingestão adequada de cálcio tem sido debatida há muitos anos. Segundo a OMS (1962), as pessoas têm em média um consumo entre 300 e 1000 mg / dia desse nutriente. Com base em alguns estudos, a primeira declaração de consenso sobre a osteoporose, em 1984, recomendou uma ingestão diária de cálcio de 1500 mg em mulheres pós-menopausa. Cerca de 10 anos mais tarde, o uso de suplementos de vitamina D para prevenir a osteoporose também foi recomendado, se tornando uma recomendação padrão no mundo todo, juntamente com a suplementação de cálcio.

Nos últimos 15 anos, muitos ensaios clínicos randomizados (ECRs) têm analisado os efeitos do cálcio e/ou vitamina D no risco de fratura. A densidade mineral óssea (DMO) também é um desfecho estudado, podendo ser usada em ensaios menores.

Nesta revisão, os autores primeiramente resumiram os resultados de duas meta-análises recentes realizadas a partir de ECRs sobre efeitos do cálcio ou vitamina D em fratura. Em seguida, os resultados de duas meta-análises obtidos a partir de ECRs sobre o efeito do cálcio ou da vitamina D na DMO. Na sequência, os resultados de uma recente meta-análise de ECRs sobre os efeitos da vitamina D em quedas. Finalmente, avaliaram os efeitos adversos de cálcio ou vitamina D detectados nos grandes ECRs. Com base em todos estes dados, os autores tiraram suas conclusões quanto ao papel da suplementação de cálcio e vitamina D para a prevenção e tratamento da osteoporose.

Sobre a suplementação de cálcio com ou sem vitamina D os autores encontraram que meta-análises (26 ECRs) deste tipo de estudo mostraram efeitos fracos e inconsistentes desse mineral sobre a fratura. Por exemplo, suplementos de cálcio com ou sem essa vitamina, reduziram o risco de fratura total, mas não de fratura de quadril. Além disso, a análise de um subgrupo sugeriu que a adição de vitamina D para suplementação de cálcio não tem efeitos adicionais sobre o risco de fratura.

Quanto à suplementação de vitamina D com ou sem cálcio, os autores encontraram que essa vitamina não teve nenhum efeito sobre a fratura total.

Apenas um ECR em mulheres idosas, debilitadas e institucionalizadas, com baixa ingestão de cálcio e baixos níveis de vitamina D, mostrou que a suplementação de cálcio e vitamina D reduziu significativamente o risco de fratura. Outro ECR em um grupo de pacientes semelhante relatou que a adição de suplementos de cálcio e da exposição solar aumentou a mortalidade, o que levanta questões sobre o risco-benefício da suplementação de cálcio e vitamina D nesse grupo populacional.

Os resultados de meta-análise (51 ECRs) para DMO são consistentes com os resultados sobre fraturas. Os suplementos de cálcio têm efeitos muito pequenos e não progressivos na DMO, e não aparentam possuir efeitos clinicamente significativos sobre a fratura. Ainda, de acordo com os estudos que analisaram o risco de fratura, os suplementos de vitamina D não têm efeitos consistentes sobre DMO quando usado como monoterapia ou quando adicionado aos suplementos de cálcio.

Quanto à queda, a meta-análise (20 ECRs) mostrou que a vitamina D não tem efeito sobre o risco de quedas, mas os efeitos benéficos têm sido relatados em meta-análises de subgrupos em outros ECRs.

Os autores afirmam que em função desses resultados, a prescrição de suplemento de cálcio e vitamina D para os pacientes que utilizam bifosfonatos ou outros tratamentos medicamentosos para a osteoporose é provavelmente desnecessária. No entanto, em pacientes idosos fragilizados com deficiência de vitamina D, a suplementação dessa vitamina é necessária.

Os ECRs também relataram efeitos adversos anteriormente não reconhecidos dos suplementos de cálcio, incluindo pedras nos rins, infarto do miocárdio, hipercalcemia e internação com sintomas gastrointestinais agudos. Os autores acreditam que o risco desses efeitos adversos, juntamente com o risco moderado de menores efeitos colaterais como constipação, provavelmente supere quaisquer benefícios de suplementos de cálcio na fratura.

O risco de efeitos adversos não tem sido relatado na maioria dos grandes ensaios com suplementos de vitamina D, sem cálcio. No entanto, a falta de benefícios de suplementos de vitamina D na DMO e prevenção de fratura, juntamente com o aumento do risco de quedas e fraturas visto em alguns estudos que utilizaram regimes de altas doses, sugere que o perfil de risco-benefício de suplementos de vitamina D em altas doses também pode ser desfavorável.

Estes dados sugerem que o papel do cálcio e da vitamina D na gestão osteoporose é bastante limitado. Assim, os autores colocam que nem a suplementação de cálcio, nem de vitamina D deve ser recomendada para a prevenção de fraturas em adultos, apesar de vitamina D deve ser considerada para a prevenção de osteomalacia em indivíduos em risco.

Referência: Bolland MJ, Grey A, Reid IR. Should we prescribe calcium or vitamin D supplements to treat or prevent osteoporosis? Climacteric. 2015 Oct 16:1-10. [Epub ahead of print]


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