Apresentação

Bases institucionais do SABE

            O inquérito sobre Saúde, bem-estar e envelhecimento – SABE - foi coordenado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS) como um inquérito multicêntrico sobre saúde e bem-estar de pessoas idosas em sete centros urbanos na América Latina e Caribe.
O Centro para Demografia e Ecologia da Universidade de Wisconsin-Madison financiou a realização do SABE provendo idéias para o desenho do estudo, o plano de amostra, questionários, operações de campo, assim como a captação, limpeza e organização dos dados. Além disso, em diversos estágios, o SABE se beneficiou da inspiração e orientação oferecidas por um corpo de consultores externos que trabalharam na coordenação com a OPAS/OMS e o Centro para Demografia e Ecologia.
O inquérito foi conduzido em Bridgetown (Barbados); Buenos Aires (Argentina); São Paulo (Brasil); Santiago (Chile); Havana (Cuba); Cidade do México (México) e Montevidéu (Uruguai) durante o período de Outubro de 1999 a Dezembro de 2000 (Figura 1).

A equipe de pesquisadores que realizou o SABE teve múltiplos componentes: pessoas da OPAS em Washington, DC, pesquisadores do Centro para Demografia e Ecologia da Universidade de Wisconsin-Madison que, juntamente com a OPAS, foram responsáveis pelo desenho do estudo e pela direção logística, equipes de consultores dos Estados Unidos e dos países envolvidos e equipes locais dos países constituídas pelo investigador principal e seus associados.

A Organização Pan-Americana de Saúde providenciou o financiamento inicial via mecanismo de iniciativa de inquérito multicêntrico. O Diretor da OPAS ofereceu suporte em vários estágios, o que permitiu ao SABE ser estendido em vários pontos até alcançar sua maturidade plena.

SABE é o segundo inquérito multicêntrico patrocinado pela Organização Pan-Americana de Saúde. O primeiro foi o ENA (Encuesta de Necesidades de los Ancianos) desenvolvido durante a década de 80 em 12 áreas urbanas da América Latina e Caribe.

Figura 1 – Representação geográfica das localidades participantes do Estudo SABE, 2000.

 

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O Instituto Nacional do Envelhecimento (National Institute on Aging) através de Acordo Inter-Agencias com a OPAS, parcialmente financiou a organização e preparação das bases de dados de todos os países envolvidos e, por meio de auxílio foram desenvolvidas várias partes do inquérito além de financiar a análise preliminar dos dados. A Graduate School of the University of Wisconsin, assim como as generosas contribuições do Center for Demography and Health of Aging (CDHA) of the University of Wisconsin permitiram o total envolvimento e participação do Dr. Alberto Palloni no projeto.
Além dessas fontes, o SABE foi financiado por contribuições de diferentes instituições internacionais e nacionais em cada país. Os principais parceiros financiadores foram: na Argentina, o Banco Inter-Americano de Desenvolvimento (BID); em Barbados, o Banco Caribenho de Desenvolvimento; no Brasil, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP); no Chile, o Ministério da Saúde e BID; em Cuba, o Centro Populacional do Instituto Nacional de Estatística e o Ministério da Saúde; no México, o Ministério da Saúde e Eli Lilly, Inc. e, no Uruguai, o Ministério da Saúde e BID. Ainda, em cada um desses países as Universidades e Instituições envolvidas proveram o apoio institucional necessário, além de outras contribuições.

Países participantes do Estudo SABE

            Embora a seleção dos países participantes do estudo tenha sido resultado de uma multiplicidade de fatores, alguns deles não relacionados com o tema em estudo, responderam, pelo menos minimamente, pelas preocupações estratégicas relacionadas à natureza do processo. De fato, uma consideração fundamental que esteve fortemente nas discussões iniciais foi a necessidade de representar bem todos os regimes demográficos que estavam produzindo taxas de velocidade de envelhecimento médias para altas. Assim, Argentina, Cuba, Uruguai e Barbados representavam países onde o processo de envelhecimento progredia mais e em velocidades que são mais comparáveis ao processo experimentado por regiões industrializadas. México e Chile permaneciam em uma compressão intermediária, equilibrada para suportar um processo mais rápido que começou a ganhar força somente durante os cinco ou dez anos que antecederam o início do estudo. Finalmente, o Brasil representava um conjunto de países do continente onde o processo de envelhecimento aconteceria mais rapidamente, mas cujo pico ocorrerá em algumas décadas, no futuro próximo. Esse raciocínio era puramente demográfico e não pretendia atribuir dominância a fatores culturais ou sociais nem garantir minimamente que a informação recuperada fosse representar todos os ângulos do espectro social e econômico na América Latina e Caribe. A disposição foi iluminar o retrato de vários estágios sintéticos do processo, mesmo se, na realidade, cada país pudesse acabar seguindo um processo que fosse parecido, minimamente, com o que pode ser reconstruído de vários estágios experimentados por diferentes países em diferentes épocas.

Objetivos

            O objetivo primário do estudo multicêntrico SABE em 2000 foi avaliar as condições de vida e saúde das pessoas idosas residentes das referidas cidades da Região de forma a projetar as necessidades sociais e de saúde que, provavelmente, resultarão do rápido crescimento da população idosa.
O objetivo secundário foi promover um maior diálogo entre a investigação em saúde pública e o estudo do envelhecimento, a fim de fortalecer um trabalho interdisciplinar em que colaboraram epidemiologistas, demógrafos, sociólogos e geriatras.
O Estudo SABE pôs de manifesto o compromisso institucional da Organização Pan-americana da Saúde com o tema do envelhecimento e seu êxito se deveu à colaboração e contribuição de um grande número de pessoas e instituições.

            Porém, ao acompanhar a coorte iniciada em 2000, ter-se-ia, apenas, a caracterização dos idosos nascidos antes de 1940. Seria interessante que se conhecesse, também, as novas coortes que entram nos 60 anos após esse período e, assim, verificar as modificações no padrão de envelhecimento entre diferentes gerações. Dessa forma, decidiu-se, a partir de 2006, acrescentar novas coortes de 60 a 64 anos a cada coleta realizada, também com seguimento longitudinal.
A continuidade desse projeto, embora constasse da proposta inicial do grupo que o idealizou (daí o desenho amostral desenvolvido), não se deu em todas as localidades participantes. Isso foi possível em São Paulo, graças, novamente, ao financiamento da FAPESP, auxílio do Ministério da Saúde - Área Técnica do Idoso e apoio institucional da USP, tornando o Estudo SABE um estudo longitudinal de múltiplas coortes sobre as condições de vida e de saúde dos idosos do Município de São Paulo a partir do ano de 2006.
No ano de 2010, procedeu-se a nova coleta de informações com pessoas de 60 a 64 anos.
A metodologia e procedimentos podem ser vistos em outro capítulo deste site.

SABE - SAÚDE BEM ESTAR E ENVELHECIMENTO

Departamento de Epidemiologia
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