Apresentação

A Organização Panamericana da Saúde, em convênio interagencial integrado pela Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (CEPAL), o Fundo de População das Nações Unidas (FNUAP), o Programa de Envelhecimento das Nações Unidas, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com a colaboração de diversos países da Região, da América Latina e Caribe, desenvolveu o Projeto SABE (Saúde, bem-estar e envelhecimento) em sete cidades. O interesse era preencher a urgente necessidade de informação especializada e de indicadores sobre as diversas esferas da vida de um segmento populacional que, além de apresentar as maiores taxas de crescimento, aumenta a uma velocidade poucas vezes vista.

O SABE foi um dos primeiros esforços para coletar sistematicamente informações sobre condições de vida do idoso (sociais, econômicas, de saúde, redes de apoio, acesso aos serviços públicos etc). No caso do Brasil, isso foi possível graças à participação fundamental da USP, FAPESP e Ministério da Saúde - Área Técnica do Idoso.

O objetivo primário do estudo multicêntrico SABE foi avaliar o estado de saúde das pessoas idosas de algumas cidades da Região, para projetar as necessidades de saúde que, provavelmente, resultarão do rápido crescimento da população idosa.

O objetivo secundário foi promover um maior diálogo entre a investigação em saúde pública e o estudo do envelhecimento, a fim de fortalecer um trabalho interdisciplinar em que colaboraram epidemiologistas, demógrafos, sociólogos e geriatras. As cidades incluídas no Estudo SABE representavam as diferentes etapas do envelhecimento na Região. Quatro das cidades incluídas (Buenos Aires na Argentina, Bridgetown em Barbados, Havana em Cuba e Montevidéu no Uruguai) se encontravam em uma etapa avançada do processo de envelhecimento, enquanto as três restantes (Santiago do Chile, Cidade do México e São Paulo no Brasil) estavam em uma etapa um pouco menos avançada. Essa combinação de cidades representava dois diferentes ritmos do envelhecimento da Região. Dada a limitação dos recursos não foram incluídas cidades que estavam em uma transição demográfica inicial, como as capitais da Bolívia, Peru, Guatemala e Honduras, o que permanece como parte de um programa ainda inconcluso de investigação na Região.

O Estudo SABE pôs de manifesto o compromisso institucional da Organização Panamericana da Saúde com o tema do envelhecimento e seu êxito se deveu à colaboração e contribuição de um grande número de pessoas e instituições.

A continuação desse projeto, embora proposta inicial do grupo que o idealizou, não se deu em todas as localidades participantes. Em São Paulo, graças, novamente, ao financiamento de USP, FAPESP e Ministério da Saúde - Área Técnica do Idoso - foi possível dar continuidade, transformando-o em um estudo longitudinal sobre as condições de vida e de saúde dos idosos do Município de São Paulo.