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Coleção Entomológica de Referência

Docente: Maria Anice Mureb Sallum
Técnico: Denise Cristina Sant´Ana
Auxiliar técnico: Caio Cesar Moreira

Breve histórico da Coleção Entomológica de Referência:

A Faculdade de Saúde Pública teve sua origem no “Laboratório de Hygiene” da Faculdade de Medicina de São Paulo, em 1918. Ao longo de sua existência foi denominada Instituto de Hygiene, Institudo de Hygiene e Saúde Pública e finalmente, já incorporada á Universidade de São Paulo, Faculdade de Saúde Pública. As atividades desenvolvidas pela instituição, durante os seus noventa e três anos de existência, estavam intimamente associadas à saúde pública brasileira, sendo palco e partícipe de acontecimentos que marcaram a história da saúde pública. Nesse sentido, vale assinalar a participação intensa de pesquisadores da instituição no programa de controle da malária que assolou os Estados do Ceará e Rio Grande do Norte nas décadas dos anos trinta do século passado. Naquela época houve a introdução de espécie exótica de mosquitos, a Anopheles arabiensis, que é o principal vetor de malária em todo o mundo. A espécie chegou ao nordeste com o comércio estabelecido entre o Brasil, a Europa e Dacar, na África, causando epidemia de malária com 140 mil casos naqueles dois estados. A identificação e a incriminação do mosquito vetor foram possíveis graças às colaborações estabelecidas entre pesquisadores do então Instituto de Hygiene e outros da Fundação Rockfeller. Em colaboração, os técnicos das duas instituições desenharam programa de controle do vetor que possibilitou a eliminação da espécie exógena e a interrupção da malária nos dois estado. Durante a mesma década da campanha de controle da malária no nordeste brasileiro, foi fundado o Laboratório de Entomologia vinculado à Seção de Higiene Rural e Parasitologia. Paralelamente, em 16 de julho de 1937, o professor Paulo Cesar de Azevedo Antunes deu início à Coleção Entomológica de Referência para insetos de interesse de Saúde Pública, sob a influência dos entomólogos americanos, Nelson Davis e Raymond Shannon. Estes dois pesquisadores trabalhavam para a Fundação Rockfeller, no Brasil, em campanhas de controle da malária, febre amarela e outras endemias veiculadas por artrópodes hematófagos que dizimavam a população brasileira e, em particular, a do Estado de São Paulo, formada por imigrantes que trabalhavam no cultivo de café. Como consequência das colaborações estabelecidas, foram feitas revisões e estudos taxonômicos de diversos grupos de insetos de interesse médico que deram visibilidade internacional aos entomólogos brasileiros. Dessa maneira, a CER-FSP-USP passou a atrair pesquisadores de diversos países para a formação em entomologia médica, em incontáveis cursos que foram ministrados na FSP-USP. Além dos nomes mencionados anteriormente, vale assinalar a participação e colaboração intensa dos entomólogos, Augusto L. Ayroza Galvão, Renato R. Correia, José de O. Coutinho e Nelson L. Cerqueira, na construção e estabelecimento da Coleção Entomológica de Referência.

 

Segundo Forattini (1987), pode-se assinalar a participação ativa dos pesquisadores do Laboratório de Entomologia em campanhas nacionais de controle de endemias, a saber: nas décadas dos anos trinta e quarenta, as de combate à febre amarela e a de erradicação de anofelino africano no Nordeste do Brasil; nos anos cinquenta e sessenta tomou parte preponderante no desenvolvimento de recursos humanos destinados à campanha de erradicação da malária; e nos anos setenta colaborou eficientemente com o serviço estadual no controle e eliminação da transmissão por triatomíneos da tripanossomíase no Estado de São Paulo. O seu pioneirismo foi, e está sendo, marcante em vários estudos básicos sobre aspectos epidemiológicos de doenças transmitidas por insetos hematófagos. Bem como no reconhecimento e identificação faunística de vetores, incluindo do tigre asiático, Aedes albopictus, que foi registrado pela primeira vez no Brasil, em 1986, sem a necessidade de se recorrer a taxonomistas estrangeiros. Isso foi possível pela presença de espécimes de Aedes albopictus no acervo da Coleção Entomológica de Referência, e que foram obtidos através de intercâmbios, em 1960. Vale acrescentar, os estudos taxonômicos, nacionais e internacionais, que atingem, na atualidade, elevado nível de produção, utilizando o acervo da Coleção Entomológica.

 

Auxílios para a preservação do acervo:

O acervo da Coleção Entomológica é preservado e conservado com recursos financeiros de projetos de pesquisa financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e CNPq. Paralelamente, ela conta com o apoio financeiro da Universidade de São Paulo, que fornece um técnico de laboratório e um docente curador, além de outros pesquisadores envolvidos em estudos de taxonomia e ecologia de insetos vetores que também acrescentam espécimes ao acervo.

Veja, abaixo, fotos da coleção:

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