A  |  A+ |  A-
Novo surto de ebola? OMS declara doença como emergência internacional

Nessa quarta-feira (17) a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de ebola na República Democrática do Congo uma emergência internacional de saúde pública. Essa categoria surgiu em 2007, quando entrou em vigor o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), uma das normas mais importantes relacionadas à saúde pública internacional. O surto de ebola na República Democrática do Congo é considerado a quinta emergência internacional desde que o regulamento passou a valer. Entre 2014 e 2015 o surto de ebola ocorrido na Guiné-Conacri, Serra Leoa e Libéria também foi enquadrado nessa categoria.

Deisy Ventura, professora da FSP/USP, relembra outras doenças também já consideradas emergências sanitárias internacionais, como a gripe H1N1, em 2009, e a síndrome congênita do zika vírus, em 2016, no Brasil, e a poliomielite, que ainda é classificada como emergência internacional, ocorrendo principalmente em países onde há conflitos armados.

A professora explica que o que faz uma doença ser considerada uma emergência internacional é o seu potencial de propagação para além da região de origem. O alarme, portanto, ocorre quando o vírus atravessa as fronteiras. Quando uma doença é declarada emergencial, os estados que assinam o RSI coordenam os esforços para evitar que a doença se propague.

Para Deisy, o grande desafio da República Democrática do Congo é o conflito armado e a dificuldade da população em acreditar nas autoridades. A docente reforça que a cooperação internacional deve ser feita para fortalecer o sistema de saúde do país; ainda que ações pontuais sejam importantes no momento, se as causas estruturais do problema não forem atacadas entra-se em uma espécie de círculo vicioso.

Ela ainda reforça que não há ligação entre os surtos e a migração de refugiados.

Episódios de discrimação racial que ocorreram no surto passado de ebola não podem se repetir.

 

Deisy Ventura é chefe do Departamento de Saúde Ambiental e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Global e Sustentabilidade da FSP/USP.