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Microbiota intestinal de adventistas é tema de pesquisa na FSP USP.

Foto: Ana Carolina Franco.

Foto: Ana Carolina Franco.


07 • 03 • 2016

Analisar a composição da microbiota intestinal de Adventistas do Sétimo dia com diferentes hábitos alimentares (vegetarianos estritos, ovo-lacto-vegetarianos e onívoros) e associá-los a marcadores de inflamação subclínica e de resistência à insulina, foi o objetivo da Tese de Doutorado "Análise da microbiota intestinal em adultos com hábitos alimentares distintos e de associações com a inflamação e resistência à insulina", de autoria da nutricionista Ana Carolina Franco de Moraes, defendida no último dia 02 de março na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, sob orientação da Profa. Dra. Sandra Roberta Gouvea Ferreira Vívolo, docente do Departamento de Epidemiologia da FSP/USP e co-orientação da Profa. Dra. Bianca de Almeida Pititto. A banca foi composta por renomados pesquisadores que trabalham nas áreas de Nutrição (profa. Dra. Rosa Wanda Diez Garcia), Microbiologia (profa. Dra. Carla Taddei de Castro Neves) e Endocrinologia Clínica e Experimental (profs. Dr. Bruno Geloneze Neto e Dr. Mario José Abdalla Saad) que consideraram que a tese trouxe acréscimos valiosos ao conhecimento do tema. A pesquisa teve o financiamento da FAPESP.

Considerando que temos 10 vezes mais bactérias que o número de células no trato gastrointestinal e que surgem evidências de que este ecossistema poderia influenciar o metabolismo do hospedeiro no que concerne à ocorrência de doenças cardiometabólicas. A pesquisadora avaliou a microbiota intestinal de 300 indivíduos participantes do estudo matriz, chamado ADVENTO. Ambos os estudos foram conduzidos no Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo. A microbiota intestinal foi obtida por uma análise genética das bactérias presentes nas fezes (gene 16s rRNA).

Os resultados indicam que os vegetarianos apresentaram uma colonização bacteriana mais favorável, que por sua vez, influencia o perfil de risco cardiometabólico. Esses dados são coerentes com o papel da alimentação saudável – rica em verduras, frutas e legumes – em preservar o metabolismo energético mantendo um adequado perfil cardiometabólico. E ainda, a pesquisadora sugere que a dieta dos onívoros – com exposição crescente a alimentos de origem animal – possa impactar negativamente nas proporções de comunidades bacterianas.

Além disso, foi identificado que indivíduos com tolerância à glicose normal apresentaram maior abundância de Akkermansia muciniphila do que aqueles com anormalidade na tolerância à glicose, sugerindo que quanto maior a quantidade desta bactéria, melhor é o metabolismo da glicose. Adicionalmente, foi identificado que agrupamentos comuns de bactérias – chamado enterótipos – previamente descritos em outras populações estão presentes na brasileira, o que propõe que o ecossistema intestinal não é “população-específico”. Interessantemente, foram encontradas associações desses enterótipos com hábitos alimentares e concentrações de lípides.

Os achados fortalecem a ideia de que a microbiota intestinal parece representar um elo relevante que explica as relações da alimentação humana com a predisposição a doenças cardiometabólicas, mas é importante ressaltar que o delineamento do estudo não permite assegurar relações causa-efeito.

Renomado cientísta participou da banca de defesa


Participou da banca de defesa de doutorado da Dra. Ana Carolina, um dos maiores especialistas do país no tema de microbiota, que é o Prof. Dr. Mario Saad, Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da FCM-UNICAMP. Foi coordenador da Comissão de Pós-Graduação de 1996 a 1998 e diretor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) por dois mandatos de 1998 a 2002, e de 2010 a 2014. Foi representante docente no Conselho Universitário da Unicamp (Consu) no período de 2002 a 2008. Representante de São Paulo, eleito, junto ao Conselho Federal de Medicina CFM (1998-2004). No período de maio de 2009 a junho de 2010 foi diretor pro- tempore da Faculdade de Ciências Aplicadas da UNICAMP do campus de Limeira. É coordenador adjunto da FAPESP desde 2005 e foi coordenador do comitê de saúde do CNPq no período de 2003 a 2005. Laureado Comendador com a ordem do mérito científico pela Presidência da República em 2008, é pesquisador 1A do CNPq desde 1996, e membro da Academia de Brasileira de Ciências desde 2007.

Mais informações com o Dra. Ana pelo e-mail: anacarolfranco@hotmail.com .