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Brinquedos e joias infantis podem conter elementos químicos que fazem mal à saúde das crianças

Pesquisadores da Escola Politécnica de Montreal, no Canadá, investigaram a presença de elementos nocivos à saúde em brinquedos e joias infantis comprados no mercado norte-americano, segundo artigo publicado em 2013 na Revista Environmental Science & Technology e descobriram que 20 das 24 amostras de brinquedos e joias infantis metálicas tinham pelo menos um metal, cuja concentração total excedia os limites de migração regulamentados por diretrizes da União Europeia. A maioria destas amostras continha altas concentrações de chumbo e cádmio disponíveis para o sistema gastrointestinal, o que pode ser perigoso para as crianças. Para determinar o teor total de concentração de metais foi selecionada uma peça representativa ou uma parte desses objetos que pudesse estar sujeita ao contato das crianças.  Os metais podem ser liberados a partir destas matrizes contaminadas nos fluidos gastrintestinais, após ingestão parcial (tinta descascada, fibras) ou ingestão total (pequenos fragmentos) fazendo com que quantidades significativas de metal fiquem biodisponíveis na circulação sanguínea, prejudicando vários órgãos. Os efeitos tóxicos de vários contaminantes em brinquedos e jóias de criança já foram discutidos na literatura científica e você pode aprender mais em nosso site. As crianças constituem um grupo vulnerável à exposição ao metal devido a fase de desenvolvimento e suas características fisiológicas, o que coincide com uma etapa da vida na qual é comum levar objetos à boca.

Por: Giovana Peron Fernandes

Artigo disponível em: https://doi.org/10.1021/es304969n

Guney M, Zagury GJ. Contamination by Ten Harmful Elements in Toys and Children’s Jewelry Bought on the North American Market. Environmental Science & Technology. 2013 47 (11), 5921-5930.

 

Altos níveis de chumbo no sangue estão associados às concentrações de chumbo em domicílios e creches brasileiras

Pesquisadores brasileiros, de universidades federais e estaduais de São Paulo, investigaram se os níveis de chumbo encontrados em residências e creches de crianças pré-escolares brasileiras estão associados com elevados níveis de chumbo no sangue, segundo artigo publicado no ano de 2018 na Revista Environmental Pollution, e encontraram associação significante entre as duas variáveis, sendo azulejos e equipamentos de playground os locais onde foram encontrados a maior parte das medições de alta concentração de chumbo. A exposição ao chumbo dentro das creches, nas quais as crianças passam muitas horas do dia, foi tão relevante quanto as exposições dentro do domicílio, e além disso,  altos níveis de chumbo tiveram maior impacto em crianças mais novas (1 a 3 anos) do que em comparação com crianças um pouco mais velhas (4 a 5 anos). O chumbo pode estar presente em diversas fontes de exposição como ar, água, alimentos e em fontes residenciais, como água da torneira quando o encanamento é metálico, solos contaminados com chumbo, tintas de parede descascando, brinquedos, poeira de móveis, objetos, canos velhos, parques infantis e áreas de lazer com tinta descascando, principalmente aquelas com estruturas antigas e metálicas e em mau estado de conservação e também em outras fontes de exposição descritas neste site.  Esses resultados, em conjunto com a  falta de informações sobre a exposição ao chumbo no Brasil, reforçam a importância da realização de mais estudos e ações, como a proposta neste site, que possam subsidiar políticas públicas no enfrentamento deste problema de saúde pública.

Por: Giovana Peron Fernandes

Artigo disponível em:  https://doi.org/10.1016/j.envpol.2018.04.080

da Rocha Silva JP, Salles FJ, Leroux IN, da Silva Ferreira APS, da Silva AS, Assunção NA, Nardocci AC, Sayuri Sato AP, Barbosa F Jr, Cardoso MRA, Olympio KPK. High blood lead levels are associated with lead concentrations in households and day care centers attended by Brazilian preschool children. Environ Pollut. 2018 Aug; 239:681-688

 

 

Comportamento antissocial em adolescentes pode estar relacionado à exposição a chumbo

Pesquisadores e pesquisadoras brasileiras, de universidades públicas em São Paulo, avaliaram a associação entre exposição a chumbo e dificuldade de aprendizagem e comportamento antissocial em adolescentes brasileiros moradores de bairros de vulnerabilidade social. O estudo foi  publicado em 2009, na Revista Neurotoxicology & Teratology. Os resultados encontrados foram compatíveis com achados anteriores na literatura científica, que indicam a existência de associação entre: adolescentes com maior frequência de comportamentos antissociais  e níveis mais altos de chumbo no esmalte dentário superficial, um indicador de exposição passada. Considerando apenas o grupo de jovens expostos a alto nível de chumbo, notou-se que existe um risco aumentado de exceder o limite de pontuação no questionário para problemas sociais, comportamento de violação de regras e problemas de externalização (conflitos com outras pessoas e comportamento agressivo). A avaliação do comportamento antissocial foi realizada através da aplicação de questionários para os adolescentes e seus pais. O alto potencial tóxico do chumbo e a presença deste metal em diversas fontes de exposição no nosso cotidiano já é conhecido e você pode aprender mais neste site. As inúmeras evidências científicas apresentadas até o momento sobre como a exposição e a intoxicação por chumbo causam grandes perdas sociais, médicas e econômicas está muito bem estabelecida e é mais do que justificável para a adoção de ações educacionais e formulação de políticas públicas que previnam a exposição ao chumbo e seus efeitos na saúde humana sejam implantadas.

Por: Giovana Peron Fernandes

Artigo disponível em: https://doi.org/10.1016/j.ntt.2009.12.003

Olympio KP, Oliveira PV, Naozuka J, Cardoso MR, Marques AF, Günther WM, Bechara EJ. Surface dental enamel lead levels and antisocial behavior in Brazilian adolescents. Neurotoxicol Teratol. 2010 Mar-Apr;32(2):273-9.

 

 

Quais são os níveis de chumbo no sangue de crianças que vivem em países da América Latina e do Caribe?

Pesquisadores brasileiros da Universidade de São Paulo, em conjunto com pesquisadoras da Organização Pan-Americana de Saúde e da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, analisaram os níveis de chumbo no sangue de crianças entre 0 e 18 anos vivendo em países da América Latina e do Caribe (ALC), segundo artigo publicado em 2017 na revista Environment International. Foi verificado que os níveis de chumbo encontrados no sangue das crianças desta análise são altos (≥10 μg / dL) em comparação com os de crianças na mesma faixa etária vivendo nos EUA, um dos países que representa grande exemplo de sucesso na implementação de políticas públicas para a prevenção e controle da contaminação por chumbo. Esta pesquisa foi realizada a partir de revisão da literatura, que consiste na pesquisa, análise e descrição de informações encontradas em estudos relevantes sobre a temática, produzidos nos países avaliados. A maior parte dos estudos selecionados foram realizados em locais com fontes de emissão de chumbo conhecidas e conduzidos em hotspots, áreas de grande foco de contaminação, nos quais as crianças podem estar expostas a altos níveis de chumbo. Apenas o Peru e o México relataram níveis de chumbo no sangue em crianças a partir de estudos de base populacional, que são mais representativos e possibilitam estimativas para toda a localidade em investigação. Portanto, pouco se sabe sobre a exposição ao chumbo em crianças na América Latina e no Caribe, o que faz com que a porcentagem de crianças em risco ainda seja desconhecida e possivelmente subestimada. Os níveis de chumbo no sangue destacados por esta revisão são ainda mais preocupantes quando comparados aos relatados por EUA, Canadá, Japão e União Europeia, onde os programas de prevenção e controle foram bem idealizados e implementados, evidenciando a urgência com que as agências governamentais na ALC devem reconhecer a intoxicação por chumbo como um problema de saúde pública e elaborar estratégias para o seu enfrentamento.

Por: Giovana Peron Fernandes
Artigo disponível em: https://doi.org/10.1016/j.envint.2016.12.022

Olympio KP, Gonçalves CG, Salles FJ, Ferreira AP, Soares AS, Buzalaf MA, Cardoso MR, Bechara EJ. What are the blood lead levels of children living in Latin America and the Caribbean? Environ Int. 2017 Apr;101:46-58.