Painel Intermediação dos Vínculos de Trabalho em Saúde

Eixo Força de Trabalho publica o estudo Panorama da Força de Trabalho em Saúde na Região Metropolitana de São Paulo (atualizado)

Os principais resultados de um estudo realizado pelo eixo do ObservaSaúde Força de Trabalho em Saúde utilizando dados do CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) estão agora disponíveis num relatório denominado Panorama da Força de Trabalho em Saúde na Região Metropolitana de São Paulo. Com esse trabalho o Observatório de Saúde da Região Metropolitana de São Paulo traz uma contribuição para o conhecimento, para a pesquisa e para a gestão pelo SUS de um contingente de trabalhadores que chega a mais de 650 mil vínculos de trabalho, apenas na Região Metropolitana. Nessa página você encontrará o link para acessar o documento,  e também o Painel Intermediação dos Vínculos de Trabalho em Saúde – 2024, que traz atualizações dos dados do estudo até junho de 2024.

O estudo já havia sido objeto de um webinar (disponível em https://www.fsp.usp.br/observasaude/vinculos_trabalho_saude/ ) realizado no dia 8 de junho de 2022 pelo ObservaSaúde, com apoio da Faculdade de Saúde Pública da USP, denominado Intermediação dos vínculos de trabalho em saúde. O webinar foi organizado pela Profa. Carinne Magnago (FSP USP) e pelo Dr. Arnaldo Sala (ex-Coord. da Atenção Básica da SES SP), que eram os coordenadores do eixo Força de Trabalho em Saúde,  com participação do Prof. Clóvis Bueno (FGV, atual coordenador do eixo junto com o Dr. Arnaldo Sala), que elaboraram um estudo sobre a intermediação da força de trabalho em saúde na Região Metropolitana de São Paulo através da exploração de dados da evolução dos vínculos de trabalho registrados no CNES (Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) de 2016 a 2021. O evento foi apresentado e coordenado pelo Secretário Executivo do ObservaSaúde Dr. Álvaro Escrivão JuniorO webinar contou com a participação da Profa Mariana Cabral Schveitzer, docente do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp; de Íris Vinha, Secretária Adjunta da SMS de Mauá, e de Lídia Tobias Silveira, assessora técnica do Cosems/SP, na condição de debatedores. Na página do webinar pode ser acessado o vídeo do evento.

Resumo: O documento “Panorama da Força de Trabalho em Saúde na Região Metropolitana de São Paulo” apresenta uma análise dos vínculos de trabalho em saúde na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) entre 2016 e 2021. O estudo investiga o crescimento da força de trabalho, a proporção de vínculos SUS e não SUS, os tipos de estabelecimentos e as diferentes categorias profissionais, com foco em médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. A pesquisa destaca a crescente presença de vínculos de trabalho intermediados, principalmente nos últimos anos, e analisa as diferentes formas de contratação e seus impactos na precarização do trabalho no setor saúde.

Panorama da Força de Trabalho em Saúde na Região Metropolitana de São Paulo

Contexto:

O estudo se insere no contexto da expansão do sistema de saúde brasileiro, particularmente após a implementação do SUS, e do consequente aumento de estabelecimentos de saúde e postos de trabalho. Esse crescimento, contudo, tem sido acompanhado de desafios como a precarização do trabalho e a terceirização de serviços.

Metodologia:

A pesquisa utiliza dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) para analisar os vínculos profissionais de saúde na RMSP entre junho de 2016 e junho de 2021. A unidade de análise são os postos de trabalho, denominados “vínculos”.

Principais Temas:

  1. Crescimento e Distribuição da Força de Trabalho:
  • A RMSP apresentou um aumento de 31,9% no número de vínculos profissionais de saúde entre 2016 e 2021, totalizando 548.747 vínculos em junho de 2021.
  • A região de saúde São Paulo concentra 67,5% do total de vínculos, seguida por Grande ABC (11,4%) e Alto do Tietê (8,7%).
  • A taxa de crescimento dos vínculos não SUS (37,5%) foi superior à dos vínculos SUS (29,3%) no período analisado.
  1. Terceirização e Modalidades de Contratação:
  • O estudo destaca a crescente terceirização na área da saúde, com a participação de diferentes tipos de entidades na gestão de estabelecimentos.
  • Existe uma multiplicidade de entidades que administram estabelecimentos de saúde da administração pública, evidenciando a terceirização da força de trabalho.
  • O relatório critica a “terceirização da terceirização”, denunciando a contratação de empresas lucrativas por organizações sociais, o que contraria os princípios do SUS.
  • “A terceirização que vem ocorrendo no serviço público de saúde é exemplar para indicar a renúncia do Estado à sua responsabilidade social e, ao mesmo tempo, revelar a promiscuidade das relações público-privado” (Druck).
  1. Vínculos “Intermediados” e Precarização do Trabalho:
  • Observa-se um aumento significativo nos vínculos “intermediados”, que englobam contratos com cooperativas, organizações sociais e outras entidades.
  • Em 2021, 47,5% dos vínculos SUS na RMSP eram “intermediados”, enquanto em 2016 esse percentual era de 37%.
  • Essa tendência aponta para a precarização do trabalho na saúde, com perda de direitos e instabilidade para os profissionais.
  • Nas unidades básicas da RMSP, 66% dos vínculos SUS, considerando médicos, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, são “intermediados”.
  1. Cessão de Servidores para a Iniciativa Privada:
  • O estudo aponta um aumento preocupante na cessão de servidores públicos para a iniciativa privada, principalmente para organizações sociais.
  • Em 2021, cerca de 13 mil vínculos se enquadravam nessa categoria, enquanto em 2016 eram inexistentes.
  • O relatório questiona a legalidade e a moralidade dessa prática, considerando que a cessão para empresas privadas pode ferir os princípios do serviço público.
  1. Desafios na Classificação dos Vínculos:
  • O relatório identifica diversas impropriedades na classificação dos vínculos pelo CNES, o que dificulta a análise precisa da força de trabalho na saúde.
  • Exemplos de problemas: categorias como “Cargo Comissionado” sem vínculo com o setor público, “Autônomo” classificado como “Pessoa Jurídica” e “Informal” aguardando regularização.
  • Essas inconsistências podem refletir tanto falhas na classificação do CNES quanto irregularidades nos vínculos de trabalho, o que demanda investigação.

Considerações Finais:

O estudo demonstra a complexidade do panorama da força de trabalho em saúde na RMSP, com crescimento numérico, mas também com desafios crescentes relacionados à precarização do trabalho e à terceirização. Aponta para a necessidade de revisão das modalidades de contratação e da regulamentação dos vínculos “intermediados”, a fim de garantir a qualidade dos serviços e os direitos dos profissionais.

A necessidade de aprimoramento da classificação de vínculos pelo CNES também é destacada, para que os dados reflitam a realidade da força de trabalho e subsidiem políticas públicas eficazes.

Clique AQUI para ter acesso ao estudo (pdf).

Em continuidade com as atividades do eixo temático Força de Trabalho em Saúde, coordenado por Arnaldo Sala e Clovis Bueno de Azevedo (e Carinne Magnano até recentemente), o ObservaSaúde lança o primeiro de uma série de painéis interativos versando sobre a saúde da RMSP, além do Painel Covid-19 que também pode ser visto no nosso site.

No painel abaixo clicando com o mouse pode-se selecionar as categorias de Profissionais (auxiliar de enfermagem, enfermeiros, médicos, técnicos de enfermagem e outros), Regiões de Saúde da RMSP,  e o tipo de vínculo empregatício (categorias do CNES Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde) e as alterações são exibidas nos gráficos. Os gráficos, por sua vez, também respondem as seleções do mouse.  

Sobre o tema intermediação e vínculos da força de trabalho, recomendamos em especial o Webinar Intermediação dos Vínculos de Trabalho em Saúde, que pode ser assistido na íntegra aqui, e a apresentação feita pelos coordenadores do eixo no evento de comemoração de 20 anos do ObservaSaúde, aqui, e que apresenta de forma resumida essa questão (com vídeo em breve).

Esperamos que as informações aqui reunidas possam interessar e dar apoio aos gestores, pesquisadores e demais interessados nesse tema. Nos ajude a divulgar compartilhando essa publicação e nos acompanhando nas nossas redes sociais.

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