Linhas de Pesquisa

DOENÇAS CARDIOVASCULARES

As doenças cardiovasculares representam um termo amplo que inclui várias doenças cardíacas e vasculares. São a principal causa de morbimortabilidade no mundo, sendo sua prevalência mais acelerada em países de baixa e média renda.  As doenças cardiovasculares são aquelas que afetam o coração e as artérias, como infarto e acidente vascular cerebral, e também arritmias cardíacas, isquemias ou anginas. A principal característica das doenças cardiovasculares é a presença da aterosclerose, que se caracteriza pelo acúmulo de placas de gorduras nas artérias ao longo dos anos, comprometendo parcialmente ou totalmente o fluxo sanguíneo.As causas da aterosclerose podem ser de origem genética, mas a principal etiologia relaciona-se ao estilo de vida da sociedade moderna. Desse modo, a Nutrição destaca-se na prevenção e controle dos principais fatores de risco modificáveis (obesidade, sedentarismo, hipertensão, colesterol alto e consumo excessivo de álcool, elevado conteúdo de colesterol na HDL e baixo conteúdo de HDL).Nos últimos anos, os projetos desenvolvidos por nosso grupo de pesquisa avaliaram as associações entre marcadores cardiometabólicos e dieta, atividade física e consumo alimentar em indivíduos adultos com diferentes níveis de risco cardiovascular. Avaliamos também o impacto de diferentes ácidos graxos nos marcadores cardiometabólicos clássicos e emergentes.

OBESIDADE

Os resultados dos estudos epidemiológicos obtidos na última década apontam a obesidade como importante condição que predispõe à maior morbidade e mortalidade. A prevalência da obesidade vem aumentando em praticamente em todos os países desenvolvidos, com raras exceções, bem como nos países em desenvolvimento.  O Brasil tem cerca de 18 milhões de pessoas consideradas obesas. Somando o total de indivíduos acima do peso, o montante chega a 70 milhões, o dobro de há três décadas. A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal no indivíduo e é fator de risco para uma série de doenças. O obeso tem mais propensão a desenvolver problemas como hipertensão,doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, entre outras. Apesar da obesidade ser multifatorial e envolver alterações sistêmicas como  inflamação e oxidação, fatores de risco ambientais e genéticos contribuem seu desenvolvimento e agravamento clínico.  Sabendo que o processo de obesidade tem início intrauterino e que os primeiros anos de vida são determinantes de morbidades associadas à obesidade, realizamos alguns estudos com adolescentes com sobrepeso e obesidade visando identificar marcadores de risco precoce para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares nesse grupo de indivíduos.

DISLIPIDEMIA

Dislipidemias referem-se ao aumento dos lipídios (gorduras) no sangue, principalmente de colesterol e dos triacilglicerois. As dislipidemias podem resultantes de alterações genéticas, mas na maioria das vezes têm os fatores ambientais como os principais agentes causais. A ingestão de uma dieta rica em colesterol e gorduras saturadas e trans, em detrimento do consumo de frutas, legumes e hortaliças, gorduras insaturadas e carboidratos complexos tem contribuído para o crescente e precoce desenvolvimento de dislipidemias na sociedade moderna. As dislipidemias estão associadas à obesidade, hipertensão, síndrome metabólica e eventos cardiovasculares. O inquestionável papel da nutrição na prevenção e controle das alterações no metabolismo lipídico constituem a base para a maioria das orientações individuais e dos programas de saúde pública. Desse modo, investigar as vias metabólicas moduladas por nutrientes e compostos bioativos tem grande relevância clínica. Sabendo-se que as dislipidemias são fatores de risco para as doenças cardiovasculares, alguns dos estudos realizados por nosso grupo avaliaram as possíveis associações entre marcadores lipídicos clássicos e emergentes em indivíduos dislipidêmicos versus normolipídêmicos.

METABOLISMO LIPÍDICO

Do ponto bioquímico, os lipídeos (fosfolipídeos, o colesterol, os triacilglicerois e os ácidos graxos) têm importante papel no desenvolvimento de diversas doenças. Como constituinte das membranas celulares (fosfolipídeos), precursores de hormônios (colesterol), carreadores de vitaminas e compostos bioativos lipossolúveis (lipoproteínas), no desenvolvimento neuronal (ácidos graxos poli-insaturados), substrato energético (ácidos graxos), os lipídeos exercem inúmeras funções biológicas que podem ser alteradas frente ao desenvolvimento de doenças. Portanto, os lipídeos exercem ações positivas e negativas na relação saúde-doença. Os ácidos graxos podem ser classificados em função da presença de insaturação (saturados e insaturados), do grau de insaturação (monoinsaturados e insaturados), número de unidades de carbono (cadeia curta, média e longa), segundo a localização da primeira instauração em relação ao grupo metil terminal (ômega 3 – ácido linolênico, ômega 6 – ácido linoleico, ômega 7 – e ômega 9 – ácido oleico). Portanto, a complexidade estrutural dos lipídeos e, particularmente, dos ácidos graxos é fundamental na geração de eicosanoides inflamatórios e anti-inflamatórios, que exercem papel na comunicação celular e na modulação de diversas vias de sinalização. Nosso grupo tem monitorado regularmente o perfil lipídico, ácidos graxos no plasma e nos eritrócitos, modificação oxidativa das lipoproteínas, funcionalidade de lipoproteínas, tamanho de lipoproteínas usando métodos clássicos padrão e novos.

SÍNDROME METABÓLICA

A Síndrome Metabólica (SM) é um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovasculares usualmente relacionados à deposição central de gordura e resistência à insulina. É importante destacar a associação da SM com a doença cardiovascular, aumentando a mortalidade geral em cerca de 1,5 vezes e a cardiovascular em cerca de 2,5 vezes. Embora a literatura apresente diversas classificações da SM, a primeira proposta veio da World Health Organization (WHO, 1999), sendo seguida por outras instituições internacionais como o European Group for the Study of Insulin (EGIR, 1999), pelo National Cholesterol Education Program (NCEP) Adult Treatment Panel III (ATP III, 2001), pela American Heart Association (AHA, 2005) e o National Heart, Lung, and Blood Institute (NHLBI, 2005) e pelo International Diabetes Federation (IDF, 2006). Atualmente, aceita-se que três dos cinco componentes propostos para classificação da SM exerçam impacto semelhante no desenvolvimento da doença (Alberti, 2009). Considerando que elevada circunferência da cintura, hipertensão, baixo HDL-c, elevados triacilgliceróis e homeostase da glicose alterada (insulina, glicemia, HOMA-IR) são modificados pela dieta, o papel da nutrição no desenvolvimento e controle da SM é foco de diversas pesquisas. Recentemente, nosso grupo avaliou o impacto do ácido graxos ômega 3 sobre o tamanho de das lipopartículas LDL e HDL em indivíduos adultos.

CÂNCER

Dentre as doenças crônicas não transmissíveis, o câncer é a segunda principal causa de morte ao nível mundial. Do ponto de vista etiológico, o câncer pode ser causado basicamente por fatores genéticos (10-20%) e ambientais (80-90%). Dos fatores ambientais, a dieta parece exercer papel importante na prevenção e em todas as etapas de desenvolvimento da carcinogênese (iniciação, promoção e progressão). Dos diversos tipos de câncer, o carcinoma de mama é o segundo tipo de câncer de maior incidência mundial e a principal causa de morte no sexo feminino. O câncer de mama tem forte influência genética, mas fatores ambientais como sedentarismo, nuliparidade, amamentação, tabagismo, obesidade, consumo de carne e ácidos graxos saturados parecem exercem influência no desenvolvimento do câncer de mama, embora com distintos graus de evidência. Considerando o papel negativo da obesidade na carcinogênese mamária, ativação de vias inflamatórias e desbalanço de adipocitocinas têm sido associados com piores prognósticos clínicos. De modo semelhante, a vitamina D com seus papeis extra ósseos e, particularmente, seu papel na modulação da resposta inflamatória e oxidativa tem sido foco de alguns estudos realizados por nosso grupo de pesquisa. Nos últimos anos realizamos estudos sobre câncer de mama seguindo as linhas abordagens: estado nutricional e aversões alimentares, papel da obesidade no prognóstico clínico, desbalanço das adipocitocinas na carcinogênese mamária e oxidações biológicas no câncer de mama.

OXIDAÇÃO BIOLÓGICA

O estresse oxidativo é definido como um acúmulo de espécies reativas de oxigênio que causam danos à estrutura das biomoléculas de DNA, lipídios, carboidratos e proteínas, além de outros componentes celulares. Estudos comprovam que o estresse oxidativo está relacionado com o envelhecimento, atividade física intensa, apoptose, câncer, diabetes mellitus e arteriosclerose. A ocorrência de um estresse oxidativo moderado, frequentemente é acompanhada do aumento das defesas antioxidantes enzimáticas, mas a produção de uma grande quantidade de radicais livres pode causar danos e morte celular. Em humanos, o estress oxidativo encontra-se ligado a diversas doenças, como a aterosclerose, a doença de Parkinson e a doença de Alzheimer. As espécies reativas de oxigênio também podem agir de forma benéfica ao organismo, quando usadas pelo sistema imunitário para atacar e aniquilar agentes patogênicos ou quando atuam como moléculas mensageiras em vias de sinalização celular (também designada sinalização redox).