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Pesquisadora da FSP/USP fala sobre acordo de redução de açúcar em industrializados, na GloboNews

Em entrevista ao Estúdio I, da Globo News, Ana Paula Bortoletto Martins, pesquisadora do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (NUPENS/USP) fala sobre o acordo do governo com a indústria alimentícia para reduzir açúcar em alimentos.

Para Ana Paula, o impacto dessa diminuição não será tão grande quanto se imagina porque as metas são calculadas de acordo com o valor máximo de açúcar em cada produto, então o que será excluído será o excesso do excesso do açúcar e a maior quantidade dos produtos já tem uma nível de açúcar abaixo da meta estabelecida.

A pesquisadora adiantou que essa não será a estratégia mais efetiva pra conseguir reverter o problema de saúde pública no Brasil do aumento da diabetes e da obesidade.

Para ela, os principais vilões da má alimentação são os alimentos ultraprocessados, que são aqueles que com grande quantidade de sódio, açúcar e gordura. Nesse caso, as bebidas açucaradas são muito preocupantes porque têm açúcar na forma líquida e isso contribui para que as pessoas consumam uma maior quantidade de calorias sem perceber. Depois delas, vêm os doces no geral, biscoitos recheados e bolos prontos. Segundo Ana Paula, a tendência de consumo no Brasil aponta para um aumento da participação desses alimentos na mesa do brasileiro.

Apesar do açúcar de mesa ser consumido em grande quantidade, o açúcar que está aumentando no consumo da população brasileira é o que está “escondido” nos alimentos ultraprocessados. Ana Paula alerta para a não-obrigatoriedade de constar a quantidade de açúcar na tabela de nutrientes.

A pesquisadora deixa algumas dicas: “olhar a lista de ingredientes desses produtos e preferir os alimentos sejam de fontes naturais, in natura, ou minimamente processados – as comidas ‘de verdade’ “. Caso opte por um produto ultraprocessado, vale ler a lista de ingredientes e ficar atento a componentes com nomes estranhos/desconhecidos, como glucose de milho, açúcar invertido, frutose, maltose, xaropes, entre outros. Segundo a pesquisadora, todos são derivados de açúcar. Outra dica dada por Ana Paula é sobre a lista de ingredientes: ” [ela] está em ordem decrescente de quantidade, isto é, se a palavra açúcar ou alguns desses [componentes] aparece no começo da lista, significa que tem mais desse componente do que qualquer outro”.

Para a pesquisadora, para mudar o hábito de consumo de açúcar do brasileiro, “vai precisar muito mais do que apenas reduzir o açúcar em produtos ultraprocessados de forma voluntária.” Ana Paula ressalta a importância de ter um ambiente que facilite as escolhas mais saudáveis e ter informações melhores nos rótulos para que as pessoas tenham liberdade de escolher um alimento mais saudável.

A dica final dada pela pesquisadora é não substituir o açúcar pelo adoçante. Para ela, a melhor escolha é diminuir o açúcar para adpatar o paladar para uma comida menos doce, porém mais saborosa.

 

Ana Paula Bortoletto Martins, em entrevista ao vivo para o Estúdio I, da Globo News (26/11). Imagem: Reprodução/G1.

 

Veja a matéria completa no G1: Acordo do governo com a indústria alimentícia vai reduzir açúcar em alimentos