
Atendimento médico: comunidades indígenas recebem apoio no combate à COVID-19. Imagem: Divulgação/Ministério da Defesa
O enfraquecimento das políticas ambientais na Amazônia brasileira está elevando o risco de eventos zoonóticos adicionais, em meio à luta contra o SARS-Coronavirus-2. Além da luta existencial das tribos indígenas, a malária e o SARS-Coronavirus-2 estão causando estragos nessas populações vulneráveis. É o que mostra o artigo “The COVID-19 crisis and Amazonia’s indigenous people: Implications for conservation and global health“, que acaba de ser publicado no volume 145 da na revista científica World Development.
Assinado em co-autoria pela professora Maria Anice Mureb Sallum, do Departamento de Epidemiologia da FSP-USP, o artigo enfatiza a “necessidade crítica de proteção dos direitos e da saúde dos povos indígenas, bem como de um esforço sustentado para apoiar estudos dos mecanismos subjacentes às mudanças antropogênicas no uso da terra e quanto ao risco de doenças zoonóticas”.
Os pesquisadores examinaram as ligações entre o desmatamento e o surgimento de doenças na Amazônia, conforme ilustrado pelos surtos do vírus da febre amarela, do vírus da encefalite eqüina venezuelana e do vírus Oropouche. O artigo reitera o fato de estar bem estabelecido que, no Brasil, os territórios indígenas apresentam taxas mais baixas de conversão e degradação florestal do que em áreas destinadas ao uso sustentável. Desta forma, as tribos indígenas da Amazônia promovem a saúde pública enquanto sustentam os serviços do ecossistema. No entanto, os direitos territoriais indígenas estão sob ataque devido às políticas atuais que permitem a grilagem de terras, mineração e extração de madeira ilegal. Além da luta existencial das tribos indígenas, a malária e o SARS-Coronavirus-2 estão causando estragos nessas populações vulneráveis, traz o trabalho.
O artigo é escrito em colaboração com pesquisadores do Centro Universitário Saúde ABC (FMABC) e da Universidade da Flórida (EUA).
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