A revista científica International Journal of Environmental Research and Public Health publicou no dia 18 de fevereiro artigo sobre pesquisa realizada na Faculdade de Saúde Pública da USP para avaliar potenciais benefícios dos jardins do campus da Faculdade para o bem-estar de seus alunos, professores e funcionários. O trabalho explora os benefícios de áreas verdes em São Paulo para a mitigação dos efeitos do aquecimento global e da poluição atmosférica.
O artigo tem como autores Patrick Connerton, doutor pelo programa de Saúde Global e Sustentabilidade, Thiago Nogueira professor do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP, Prashant Kumar, Professor da Universidade de Surrey (Reino Unido), Maria de Fátima Andrade, Professora do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG-USP), e Helena Ribeiro (orientadora do autor Patrick Connerton), docente Sênior do Departamento de Saúde Ambiental.
A pesquisa utilizou sensores de baixo custo (Purple Air) instalados um no meio do parque de três hectares que forma o jardim da faculdade, e outro na calçada na esquina da rua Teodoro Sampaio com a avenida Dr. Arnaldo. Os aparelhos coletaram dados atmosféricos de 30 junho de 2023 a quatro de abril de 2024, ao longo de todo o dia do período.
Segundo os resultados da análise, enquanto o medidor externo contabilizava uma média de 30º C de temperatura, o medidor do jardim atingia em média 27,6º C, uma diferença de 2,4 graus. Outro fator medido foi a umidade do ar, que girou em torno de 44,1% na Teodoro Sampaio e 50,5% no jardim da FSP-USP.
Já em relação ao material particulado, os sensores também encontraram uma melhora na qualidade do ar nos jardim da Faculdade. Em µg/m3, a concentração de material particulado ultrafino (PM1) na área externa foi de 13,6, enquanto que na FSP-USP foi de 12,8. O mesmo ocorreu com o material particulado fino (PM2,5) e grosso (PM10), respectivamente: 19,0 e 22,7, na Teodoro Sampaio; e 18,1 e 21,8, no jardim do Instituto.
O artigo mostra que mesmo uma pequena ilha de vegetação tem benefícios para atenuar a temperatura, aumentar a umidade e minimizar a poluição atmosférica. Evidencia, ainda, que soluções baseadas na natureza (infraestrutura verde e azul) oferecem vários co-benefícios à saúde humana, ao mitigar o calor e reduzir a exposição à poluição do ar.
Segundo a Professora Helena, o artigo mostra que “mesmo em baixas concentrações, a exposição à poluição do ar e material particulado tem sido ligada ao aumento do risco de doenças cardiorrespiratórias. Ou seja, os jardins da FSP-USP representam um benefício à saúde e ao combate às ondas de calor para os alunos, professores e funcionários da Faculdade”, afirma.
Os resultados do estudo fazem parte do projeto financiado pela Fapesp (22/02365-5) “Infraestrutura verde das cidades para resfriamento urbano (GreenCities)”.