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Migrantes, mudanças climáticas e policrise: revisão sistemática destaca desafios e caminhos para a inclusão

Yorman Paredes Márquez, doutorando no PPG em Saúde Pública e autor do artigo. Imagem: Arquivo Pessoal.

Uma revisão sistemática publicada na revista científica Regional Environmental Change, conduzida por pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública da USP, lança luz sobre os desafios enfrentados por migrantes adultos diante das mudanças climáticas e de múltiplas crises globais que se sobrepõem e se retroalimentam.

Professor Leandro Giatti, também autor do artigo. Imagem: Arquivo Pessoal.

Assinado por Yorman Paredes Márquez, doutorando no Programa de Pós-graduação em Saúde Pública, e o professor Leandro Luiz Giatti, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP, o artigo intitulado “Health and coping mechanisms of adult migrants in the face of climate change and polycrisis: a systematic review” reúne estudos qualitativos realizados em diferentes países para compreender como os migrantes percebem as transformações ambientais e os impactos dessas mudanças em sua saúde física e mental.

“Embora a migração seja frequentemente considerada uma estratégia de adaptação a adversidades, o estudo revela que ela também impõe obstáculos adicionais, como barreiras culturais, linguísticas e econômicas, dificultando a integração social e o bem-estar dos migrantes”, segundo Márquez.

O trabalho mostra que migrantes desenvolvem habilidades únicas de adaptação, capazes de fortalecer não apenas sua própria resiliência, mas também a das comunidades que os acolhem. Enfatiza ainda a importância de metodologias qualitativas e participativas de investigação, para entender melhor essas vivências e construir estratégias de apoio mais eficazes. Isso é válido especialmente no campo da saúde mental, já que muitos migrantes enfrentam sofrimento emocional decorrente do deslocamento e da perda de vínculos afetivos.

Foto do campo de pesquisa (registro de 28 de março de 2025) mostra a ocupação Veneza City, na Zona Leste de São Paulo. Imagem: Yorman Paredes Márquez.

Márquez conta que tem investigado a ocupação Veneza City, um assentamento informal na Zona Leste de São Paulo, onde famílias de migrantes venezuelanos construíram moradias de madeira. “Apesar das condições difíceis, é possível observar que os moradores plantaram e protegem uma pequena horta, o que sugere seu esforço em criar um lar e manter um estilo de vida familiar, mesmo em meio à vulnerabilidade”, disse.

A revisão reforça também a necessidade de abordagens interdisciplinares e sensíveis aos contextos de múltiplas crises para a formulação de políticas públicas e intervenções realmente efetivas. Valorizar e compreender as experiências dos migrantes é essencial para criar soluções sustentáveis e inclusivas diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelas policrises globais da atualidade.

Acesse o artigo na íntegra:
“Health and coping mechanisms of adult migrants in the face of climate change and polycrisis: a systematic review”