Palestra “Aleitamento materno e feminismo” abordará aspectos históricos e direitos da mulher
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Questões importantes como a inserção da amamentação na agenda das políticas públicas e, principalmente, aspectos históricos de como as mulheres, com a hospitalização do parto, foram impedidas de amamentar serão debatidas em palestra com a Prof. Carmen Simone Grilo Diniz. A exposição faz parte da Semana Mundial do Aleitamento Materno na FSP/USP, promovida pelo Centro de Referência em Alimentação e Nutrição (CRNutri). Em 2018, o tema estabelecido é “Aleitamento Materno: É A Base da Vida”, com a proposta de motivar ações para promover a amamentação como parte das estratégias de nutrição, segurança alimentar e redução das desigualdades.
Para a Prof. Simone, o estímulo ao desmame no período de hospitalização do parto deveu-se, sobretudo, à suposição de que os leites artificiais, substitutos do leite materno, eram superiores à amamentação, crença que levou a taxa de amamentação a zero em diversas regiões.
O Brasil teve uma posição de vanguarda a respeito da regulação da propaganda dos substitutos de leite materno, segundo a docente. No entanto, o desestímulo à amamentação ainda é presente, reforçado por mitos oriundos de uma cultura sexual e reprodutiva opressora, que coloca em conflito a desejabilidade sexual da mulher e a amamentação.
A Prof. Simone ressalta a importância do ato:
“a amamentação vai fazer com que esse bebê tenha menores chances de ter uma doença crônica, sobrepeso, obesidade, asma, diabetes e um conjunto de doenças. Também é muito importante para a promoção da saúde da mãe, porque vai prevenir os riscos de a mãe desenvolver câncer de mama, câncer de ovário, diabetes, retenção de peso no pós-parto. Uma amamentação bem-sucedida também é associada a melhores resultados de saúde mental da mãe e para tudo isso acontecer é necessário apoio.”
Para tanto, a mulher não deve ser responsabilizada sozinha pelo sucesso da amamentação. Essa responsabilidade deve ser coletiva, abrangendo família, sociedade, políticas públicas e direitos trabalhistas, constituindo uma rede de apoio sólida para a mulher.
Também será discutido como a amamentação depende dos direitos das mulheres, inclusive dos direitos trabalhistas das mulheres, o papel da licença-maternidade, o papel do apoio social para a amamentação, o apoio da família e da própria sociedade, desde o direito a amamentar em público até a importância do direito de creche.
A palestra “Aleitamento materno e feminismo” ocorre no dia 9 de agosto, às 9h45, na FSP/USP.
Carmen Simone Grilo Diniz é docente do Departamento de Saúde, Ciclos de Vida e Sociedade, onde leciona disciplinas na área de saúde da mulher e de gênero, e atua como vice-diretora da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
Confira o vídeo:
Rafaella Carrilho – Assessoria de Comunicação da FSP/USP.