
Aylene Bousquat, professora da FSP-USP e coordenadora da pesquisa “Desafios da Atenção Básica no enfrentamento da pandemia da COVID-19 no SUS”.
Pesquisa realizada pela USP entre os dias 25 de maio e 30 de junho, com público-alvo de profissionais da saúde e em parceria com outras três instituições, verificou que os serviços de atenção primária de mil municípios, mais o Distrito Federal, possuem dificuldades básicas para garantir o combate à pandemia. Segundo especialista Aylene Bousquat, há Unidades Básicas de Saúde sem acesso a insumos médicos básicos, como equipamentos de proteção individual, testes RT-PCR e internet que possibilite o acompanhamento remoto de pacientes.
A parceria entre a Universidade de São Paulo, a Fundação Oswaldo Cruz, a Universidade de Pelotas e a Universidade Federal da Bahia analisou as respostas de 2.566 mil entrevistados entre profissionais da saúde, gestores e gerentes de Secretarias de Saúde municipais, atingindo 18% dos municípios brasileiros. Em entrevista ao Jornal da USP no Ar, a professora Aylene Bousquat, da Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenadora da pesquisa, afirma que foram analisados os desafios e os constrangimentos em relação à atenção primária.
Entre os resultados, foram observados a criatividade e os esforços dos profissionais da saúde para garantir a continuidade dos trabalhos. Ao mesmo tempo, o estudo aponta a falta de material e estrutura para realização das tarefas e, principalmente, a falta de uma política articulada entre os governos federal, municipal e estadual. “Se a gente tivesse uma política mais elaborada e os insumos necessários, poderíamos ter um papel ainda mais importante na atenção primária, porque os profissionais de saúde estão lá e estão fazendo muitas coisas.”
A coordenadora do estudo informa que os profissionais do eixo de vigilância e saúde, fundamentais para o acompanhamento dos pacientes, relatam a falta de testes RT-PCR, os que identificam a presença do vírus no organismo, e apenas 20% dos entrevistados afirmam possuir os testes em quantidade suficiente. “Nossos milhares de serviços da atenção primária no Brasil são capazes de acompanhar, identificar onde estão os casos e ajudar na quarentena, mas para isso é necessário que essas unidades tenham disponibilidade de testes e a gente encontrou uma insuficiência brutal, especialmente do RT-PCR.”
Essa matéria foi publicada no Jornal da USP com o áudio da entrevista. Leia aqui a matéria na íntegra.
Imagem da home: Insumos – Fotomontagem / Jornal da USP.
Fonte: Jornal da USP – com apresentação de Roxane Ré.