Artigo recém-publicado na revista científica Environment International estima que a exposição a longas horas de trabalho, iguais ou superiores a 55 horas semanais, muito comum no mundo todo, é fator de risco para doença cardíaca isquêmica e acidente vascular cerebral. O artigo conta com a participação da Profa. Frida Marina Fischer, do Departamento de Saúde Ambiental da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP.
O artigo aponta que, para proteger e promover a segurança e a saúde ocupacional dos trabalhadores, são necessárias intervenções para reduzir as longas e perigosas horas de trabalho.
O artigo retoma as revisões sistemáticas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que relataram evidências suficientes para maiores riscos de doença cardíaca isquêmica e acidente vascular cerebral entre pessoas que trabalham longas horas -igual ou superior a 55 horas/semana- em comparação com pessoas que trabalham de 35 a 40 horas por semana.
A partir daquelas revisões, o artigo apresenta estimativas conjuntas da OMS / OIT de exposição global, regional e nacional a longas horas de trabalho, para 194 países, e as cargas atribuíveis de doença cardíaca isquêmica e acidente vascular cerebral, para 183 países, por sexo e idade, para 2000, 2010, e 2016.
Os pesquisadores calcularam as frações atribuíveis à população a partir de estimativas da população exposta a longas jornadas de trabalho e os riscos relativos à exposição às doenças das revisões sistemáticas. A população exposta foi modelada usando dados de 2324 pesquisas transversais e 1742 conjuntos de dados de pesquisas trimestrais.
Segundo o artigo, em 2016, 488 milhões de pessoas, ou 8,9% da população global, foram expostas a longas horas de trabalho (iguais ou superiores a 55 horas/semana). Estimou-se que 745.194 mortes foram atribuíveis a esta exposição.
As frações atribuíveis à população para mortes foram 3,7% para doença isquêmica do coração e 6,9% para acidente vascular cerebral. Para anos de vida perdidos por incapacidade, foram de 5,3% para doença isquêmica do coração e 9,3% para acidente vascular cerebral.
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