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Coletânea debate a produção e a circulação dos discursos sobre a COVID-19 nas mídias

Imagem: Capa do Livro.

Resultado do trabalho coletivo de um grupo de 30 autoras e autores ligados a diferentes universidades e centros de pesquisa, o livro COVID-19: versões da pandemia nas mídias analisa a construção e a circulação dos discursos em torno dos conhecimentos e das práticas que emergiram a partir da maior crise sanitária global dos últimos cem anos. Para tanto, a coletânea acompanha as narrativas públicas sobre os eventos, os números, as mortes e os debates produzidos e disseminados por diversas mídias, as tradicionais e as digitais, ao longo da primeira onda da covid-19, entre março e dezembro de 2020.

Sob uma perspectiva crítica, os 14 artigos que formam a coletânea analisam como, em um contexto de intensa midiatização da vida, foram produzidas versões da pandemia que redundaram em um mosaico discursivo com a participação de uma ampla gama de atores (pessoas comuns, profissionais de saúde, cientistas, especialistas, documentos oficiais, estudos científicos, boletins epidemiológicos etc.), materialidades (corpos, caixões, leitos de UTI, respiradores, luvas, álcool em gel, hospitais de campanha, máscaras, testes rápidos, medicamentos) e dispositivos de inscrição que se tornaram, para muitos, parte de rituais cotidianos (como higienizar as mãos e verificar diariamente o número de casos e de óbitos provocados pela doença). Mosaico que transbordou para as conversas cotidianas uma gramática até então circunscrita às comunidades peritas (imunidade de rebanho, achatamento da curva, percentual de ocupação hospitalar, taxa de transmissão e de letalidade, média móvel de casos e mortes, vacinas e seus complexos processos de produção, a “fotografia” do vírus) e alterou profundamente as sociabilidades, os modos de convivência habituais, sob longos e confusos períodos de distanciamento social, ora mais rigorosos, ora mais flexíveis.

COVID-19: versões da pandemia na mídia é, sobretudo, resultado de diálogos interdisciplinares e interinstitucionais, expressos na vinculação de seus autores/as a 11 instituições acadêmico-científicas, inclusive a Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP). Com foco nas áreas de saúde pública, comunicação e saúde, jornalismo e saúde, comunicação de risco em saúde,  vigilância sanitária e psicologia social, a obra, publicada no Portal de Livros Abertos da USP (http://www.livrosabertos.sibi.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/book/606), é organizada por Mary Jane Spink (PUC/SP), Mariana Prioli Cordeiro (IPUSP), Jacqueline I. Machado Brigagão (EACH-USP) e Cláudia Malinverni, do Instituto de Saúde do Estado de São Paulo, que coordenou a Coleção Audioteca da Biblioteca da Faculdade de Saúde Pública. A pesquisadora Mariana De Gea Gervasio, obstetriz e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da FSP, sob orientação da professora Angela Maria Belloni Cuenca, é líder do capítulo “Os infográficos e a comunicação dos números da covid-19 em Rio Claro/SP”.

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