Em artigo para o jornal Folha de São Paulo, o professor Marco Akerman, do Departamento de Política, Gestão e Saúde da FSP-USP e Silmara Conchão, docente da Faculdade de Medicina do ABC, analisaram os casos recentes envolvendo alunos de medicina da Universidade Santo Amaro (Unisa).
Vídeos em que os alunos aparecem nus durante jogo feminino de um campeonato universitário viralizaram nas redes sociais, em suposto episódio de masturbação coletiva. O acontecimento, que motivou a abertura de inquérito para apurar os crimes de ato obsceno e importunação sexual, levantou um debate sobre a cultura de violência dentro de faculdades de medicina.
Segundo Marco Akerman e Silmara Conchão, existe algo no coletivo da categoria médica que reforça uma lógica de poder e de hierarquia exacerbada. E isso, segundo eles, ajuda a perpetuar trotes violentos e demonstrações como a realizada pelos estudantes da Unisa.
Para os professores, essa cultura perpassa esse caso isolado e expõe muitos jovens a situações de vulnerabilidade:
“Aqueles que concordam com a tradição, porque “sempre foi assim”, vivenciam o constrangimento e a violência física no monopólio dos ‘veteranos’ e, dessa forma, conquistam prestígio no momento de chegada a uma universidade. Quem não concorda fica à margem, mas segue, ansiosamente, buscando pertencimento.”
Os autores do artigo destacam que os trotes e sua máscara de brincadeira escancaram um sistema permanente de exclusão e de reprodução das assimetrias sociais, definindo pessoas de “maior” e de “menor” valor. Eles também citam os hinos de conotação machista, racista e homofóbica que banalizam o preconceito e reafirmam a sexualização exacerbada e a objetificação das mulheres.
Marco e Silmara finalizam com a defesa da realização de debates e rodas de conversas para construir um ambiente universitário saudavel. “Precisamos problematizar as hierarquias e as posturas discriminatórias, numa perspectiva da consciência crítica para a emancipação e libertação de nossos estudantes“, traz o texto.
Leia o artigo completo em: “O que está oculto nas faculdades de medicina?”