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Quatro em cada dez moradores de São Paulo possuem multimorbidade, mostra estudo

Estudo recém-publicado na Revista de Saúde Pública revela que 4 em cada 10 moradores de São Paulo tinham multimorbidade, com variações baseadas em idade, sexo e status socioeconômico. Conduzido por uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP) e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (Portugal), o estudo “Multimorbidity patterns and associated factors in a megacity: a cross-sectional study” também fornece perspectivas que podem orientar estratégias e intervenções em saúde para as pessoas que vivem com duas ou mais condições crônicas de saúde.

Os pesquisadores utilizaram dados do Inquérito de Saúde do município de São Paulo (ISA-Capital) de 2015 para identificar padrões distintos de multimorbidade, com certas condições crônicas ocorrendo frequentemente juntas. Por exemplo, 15,9% conviviam com combinações de doenças cardiovasculares, em que diabetes e hipertensão foram notavelmente prevalentes, com 40,8% e 81%, respectivamente. Ainda foi observado uma combinação entre doenças musculoesqueléticas e reumatológicas com condições de saúde mentais ou emocionais atingindo 12,8% da população.

A pesquisa foi inovadora por trabalhar com padrões de multimorbidade, ao invés da maneira mais utilizada em estudos desse tipo, em que são realizados apenas a contagem das doenças. Com esses padrões, buscou-se uma forma de agregar os indivíduos acometidos com condições de saúde clinicamente reconhecíveis e teoricamente plausíveis através da análise estatística.

O trabalho também enfatiza a necessidade de abordagens de saúde integradas e abrangentes para gerenciar múltiplas condições crônicas simultaneamente. “Ao compreender os padrões e fatores associados à multimorbidade, os formuladores de políticas, prestadores de serviços e profissionais de saúde podem desenvolver intervenções direcionadas às necessidades específicas das populações com maior risco de multimorbidade e ofertar cuidados de saúde integrados que abordem múltiplas condições crônicas”, ressalta o professor do Instituto de Ciências de Motricidade e um dos autores do estudo Ricardo Goes de Aguiar sobre a importância do estudo.

Esse estudo faz parte da tese de doutorado do Programa de Epidemiologia de Ricardo, sob orientação do professor Chester Luiz Galvão Cesar, do Departamento de Epidemiologia da FSP-USP. Além dos professores, também participaram do estudo os pesquisadores Shamyr Sulyvan Castro, Moises Goldbaum, Daniela Simões e Raquel Lucas.

O artigo Multimorbidity patterns and associated factors in a megacity: a cross-sectional study foi publicado no dia 10 de julho de 2024 e está disponivel de forma gratuita e online no site da Revista de Saúde Pública.