Muitas vezes, na utilização de dados disponíveis em estudos de séries temporais, a aplicação do “sexo” enquanto estrato social é feita sem nem ao menos contemplar pessoas intersexo, que poderiam estar representadas nessa categoria. Por esse motivo, se faz necessário o lembrete de que a própria Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (PNSI-LGBT) foi atualizada para inclusão dessas vivências e corpo.
Todo o histórico de luta em torno do HIV/AIDS contribuiu para que muitos serviços de saúde que atuam nessa área de atendimento e prevenção possuíssem um olhar mais integral para a população. Isso se dá eminentemente em locais que oferecem esses serviços de forma especializada, onde até mesmo os prontuários e fichas de identificação possuem sensibilidade para abordar essas questões para além da limitação do “sexo biológico”.
A forma como esses dados são disponibilizados em sistemas de informação em saúde, porém, é anacrônica ao não contemplar a variável “identidade de gênero”, “orientação sexual” e a inclusão de pessoas intersexo em toda a série histórica, sendo que construções e conquistas sociais transversalizadas pelo HIV/AIDS devem servir também de marco para informar a atualização de formulários de inscrição e não restrito aos serviços especializados em atendimento e prevenção a essa e outras ISTs.
Link para o texto completo de Lukas Inverso: https://www.cosmopoliticasdocuidado.net/pane-no-cistema/
