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Mostra interativa baseada em clássicos da literatura comemora os 100 anos do Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza

Mostra interativa baseada em clássicos da literatura comemora os 100 anos do Centro de Saúde Escola Geraldo de Paula Souza. Local: subsolo do prédio da biblioteca da FSP-USP.

Tertúlias Literárias, um dos grupos abertos de atividades integrativas do Centro de Saúde Escola Geraldo Paula Souza da FSP-USP, transformou memórias literárias em bordados e pinturas, dando vida a livros e contos já lidos. O resultado é a mostra “Tecendo histórias – memórias e leituras vivas”, em exibição no saguão do subsolo do prédio da Biblioteca. A exposição celebra a literatura como espaço de convivência e partilha de memórias, em homenagem aos 100 Anos do Centro de Saúde.

Ao todo são 14 bordados expostos. Cada obra traz um QR Code com áudio de um participante lendo o trecho que inspirou a criação, tornando a leitura uma experiência viva, compartilhada e afetiva. Os áudios estão reunidos no podcast comemorativo de mesmo nome da mostra e pode ser ouvido aqui.

O grupo, formado por usuários do Centro de Saúde, se reúne todas as sextas-feiras, às 10h, no jardim da FSP-USP, para ler e discutir literatura. O trabalho é inspirado pela leitura de A moça tecelã (Marina Colasanti). À exemplo da personagem do livro, o grupo decidiu transformar as histórias lidas em arte, sob a coordenação da pedagoga voluntária Cristiane Casquet, com acompanhamento do psicólogo Pedro Teixeira (psicólogo do CSEGPS).

“Tertúlia, do espanhol, significa encontro. Tertúlia literária é uma prática de leitura compartilhada, na qual lemos e discutimos em grupo, livros e contos de literatura clássica e contemporânea. Primamos pela bibliodiversidade, procurando incluir todo tipo de gêneros, estéticas e narrativas, para que a experiência de leitura seja mais abrangente e representativa. Promovendo o acesso a uma variedade maior de livros, democratizamos o acesso à informação e ao conhecimento”, conta Casquet.

Pintura e bordado de Eliza Amaral Martini, inspirada na obra “As águas do mundo”, de Clarice Lispector.

“Meu trabalho com as Tertúlias é inspirado num projeto que surgiu em Barcelona e tem uma fundamentação teórica ancorada nos princípios da aprendizagem dialógica, que são: diálogo igualitário, inteligência cultural, transformação, dimensão instrumental, criação de sentido, solidariedade e igualdade de diferenças”, conta Casquet. E complementa: “Essa teoria, na verdade, acontece na prática, no diálogo e no respeito. Não há certo nem errado. Não há saber mais, nem  menos. Há saberes diferentes. Todos aprendem com todos”, afirma a pedagoga.

Ela destaca que a principal característica dos encontros é a convivência e as trocas que os participantes estabelecem a partir de suas experiências e impressões de leitura. “No final, saímos com as nossas ideias amplificadas pelo olhar do outro. É um espaço de empatia e compartilhamento”, afirma.

Pintura de Irene Santille, inspirada em “O meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos.

“Participar da condução das Tertúlias Literárias junto com a Cris Casquet tem sido uma experiência muito rica para mim enquanto trabalhador do SUS. Alguns poderiam dizer que oferecer espaços de leitura e discussão de literatura não estaria dentro das atribuições de um profissional da saúde, mas isso é uma incompreensão. Quando pensamos no princípio de integralidade do SUS, que preconiza a abordagem da saúde como um todo, incluindo a promoção da saúde e a prevenção de agravos, isso fica mais claro”, afirma Pedro Teixeira, psicólogo do Centro de Saúde.

 

Ele conta que, apesar das tertúlias serem atividades abertas à comunidade como um todo, o público que mais frequenta os encontros é de idosos. “Sabemos da importância da socialização nessa etapa da vida. Um dos maiores fatores de complicações de saúde nessa população é o isolamento e a solidão, com impactos para a saúde física e mental. Nesse sentido, a literatura é muito agregadora. A partir dela, seja um romance ou um conto, falamos sobre os mais diversos assuntos, levantando reflexões sobre nossas formas de viver, enfim, sobre a sociedade”, diz Pedro.

Pintura de Eliza Amaral Martini, inspirada em A peste, de Albert Camus.

O profissional observa que os integrantes contrapõem e complementam opiniões, criando um entendimento coletivo sobre as obras, mesmo que cada um tenha sua própria opinião e leitura sobre o texto. “É nítido o efeito sobre os participantes, estimulando a reflexão sobre si e sobre o mundo, se conectando com outras pessoas. Essa é para mim a beleza do trabalho, tão bem conduzido pela Cris: não tentamos passar uma moral, não tem um intuito pedagógico, é um mergulho pela literatura e pelos novos mundos que ela pode criar”.

Alguns dos autores já lidos pelo grupo incluem Machado de Assis, João Guimarães Rosa, Oscar Wilde, Franz Kafka, Júlio Cortázar, Charles Dickens, Albert Camus, Clarice Lispector, José Saramago, Mia Couto, Marina Colasanti, Carlos Drummond de Andrade, entre outros clássicos.

O grupo Tertúlias literárias é aberto a todos os interessados. Reuniões às sextas-feiras, às 10h, no jardim da FSP-USP.

Imagens: reprodução
Imagem da home: Bordado e pintura de Eliza Amaral Martini, baseada na obra “Silêncio”, de João Anzanello Carrascoza

 

Confira a programação da semana comemorativa.

 

Mostra interativa “Tecendo histórias – memórias e leituras vivas” em homenagem aos 100 anos do CSEGPS.
Local: subsolo do prédio da Biblioteca da FSP-USP
Aberto e gratuito.

 

Grupo das Tertúlias Literárias em encontro no jardim da FSP-USP. Foto: Arquivo Pessoal.