A convite da revista Ciência & Saúde Coletiva, a professora Helena Ribeiro da FSP-USP assina artigo na edição comemorativa dos 30 anos do periódico, com um balanço preocupante acerca da baixa inserção da temática voltada à saúde ambiental nas publicações científicas. “Importante relatar que, apesar da grande relevância que as questões ambientais têm para a saúde pública, o tema tem recebido menor interesse de autores e pesquisadores da saúde coletiva”, afirma.
Disponível para download gratuitamente, o artigo “Trinta anos da Ciência & Saúde Coletiva e a inserção da Saúde Ambiental: avanços e desafios” traz estatísticas mostrando a menor prevalência da temática com o passar dos anos e descreve algumas definições e a evolução do tema saúde ambiental. “Um cenário que vai contra a urgência dos desafios do século XXI, que demandam a incorporação da perspectiva da saúde pública e do meio ambiente às discussões globais”, mostra o texto.
O panorama foi construído a partir de dados editoriais e revisões temáticas ao longo da história do periódico, considerando também o papel histórico da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e do campo da saúde coletiva. O levantamento revela que até os 20 anos da revista, em 2015, 7% dos artigos publicados abordavam Saúde e Ambiente, ocupando a quarta posição temática na revista. Desde então, esse número caiu para 3%.
A pesquisadora também constatou a recorrência da temática poluição química – como uso de agrotóxicos nas plantações ou contaminação de corpos hídricos. Mas ainda há uma abordagem tímida acerca da questão de poluição atmosférica, apesar de impactar em larga escala a saúde coletiva. Além disso, a ênfase em diagnósticos e críticas como mecanismo de abordagem, se mostram predominantes em comparação à vertente relevante da Saúde Ambiental de apresentar soluções.
O tema saúde ambiental vem se inserindo ainda de forma muito tímida no periódico. O esforço dos editores, com chamadas temáticas e números especiais, tem conseguido atrair maior número de estudos, mas o fôlego logo se perde por livre demanda, segundo o artigo. Por outro lado, a análise temática demonstrou uma evolução dos temas e uma maior ampliação de seu entendimento, com maior peso para aspectos sociais, como é a tradição da revista.
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