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Docente da FSP-USP discute adaptação e justiça climática em evento sobre COP 30 organizado pela Academia Brasileira de Ciências 

Às vésperas da COP 30, marcada para novembro, em Belém, a professora Gabriela Marques Di Giulio, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP, participou do evento satélite “Um Chamado Científico para a COP 30: Academias de Ciências Unidas pela Ação Climática”. O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em Manaus, sediou o  encontro, que reuniu cientistas de 26 países a convite da Academia Brasileira de Ciências (ABC), em parceria com a Rede Interamericana de Academias de Ciências (Ianas).

Realizado entre os dias 20 e 22 de outubro, o evento incluiu ainda representantes de academias de ciências dos países amazônicos e de nações com tradição em pesquisas na região. O objetivo foi discutir temas centrais que serão abordados na COP 30, como mudanças climáticas, conservação da floresta e da biodiversidade, justiça climática e cooperação científica internacional.

A docente Gabriela Di Giulio integrou a mesa “From Insight to Action: justice and sustainability in the climate crisis”. Na sua fala, destacou a necessidade de avançar na adaptação sustentável e de fortalecer a governança multinível, situando o papel importante dos governos subnacionais e das cidades no enfrentamento à crise climática. 

Gabriela Di Giulio, destaca adaptação sustentável e a governança necessária entre o governos. Imagem: Reprodução/ Arquivo Pessoal.

Ao trazer um panorama sobre os impactos dos eventos extremos climáticos no Brasil, a docente apresentou resultados de suas pesquisas sobre os principais entraves no avanço da adaptação e mostrou um panorama preocupante, considerando a baixa capacidade adaptativa institucional da maioria das cidades brasileiras. Ela também destacou como as desigualdades sociais continuam a definir os desastres relacionados a eventos extremos e a moldar a resiliência dos territórios e grupos sociais.

Gabriela abordou ainda a relevância da prática de uma ciência engajada, embasada nos princípios da pesquisa e inovação responsável, centrada na coprodução de conhecimento e transdisciplinaridade, e destacou cinco mensagens chave a partir de seus estudos. “Há uma interdependência entre os impactos dos eventos extremos, questões políticas e as dinâmicas de planejamento urbano. Os efeitos negativos da urbanização acelerada, combinados com a imensa desigualdade que ainda persiste nas cidades brasileiras e a fragilidade dos sistemas de proteção social, são exacerbados no contexto atual de mudanças climáticas”, afirma.

Segundo a cientista, a maioria dos municípios brasileiros não tem implementado políticas públicas importantes à adaptação climática, as quais poderiam gerar, ao mesmo tempo, benefícios sociais, econômicos e ambientais de forma integrada.

“Há uma necessidade urgente de avançar na adaptação sustentável, sendo crucial priorizar intervenções climáticas e ações que possam ampliar esses benefícios, com foco na justiça climática. Para isso, é fundamental combinar evidências científicas com as experiências locais e as estratégias adaptativas que têm sido mobilizadas pelas populações nos seus territórios”, enfatiza Gabriela.

Ao final do evento, as instituições organizadoras elaboraram uma declaração conjunta, com recomendações para as delegações da COP 30, com o objetivo de contribuir para as discussões e negociações do evento. 

Professora Gabriela Di Giulio (centro), debate as vulnerabilidades e necessidade de medidas adaptativas urgentes nos municípios brasileiros, em evento em Manaus. Fotos: Reprodução/Arquivo Pessoal.