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Docente da FSP/USP fala sobre aumento da mortalidade infantil

Foto: Reprodução/GloboNews.

Em 2016, a cada 1000 crianças nascidas vivas, 14 morreram com até 1 ano de vida. Um crescimento de 5% na Taxa de Mortalidade Infantil, comparado com o ano de 2015. Desde 1990 essa taxa vinha diminuindo no Brasil. A taxa de mortalidade infantil é calculada pela divisão do número de óbitos de menores de 1 ano de idade pelo total de nascidos vivos.

Para a Prof. Marcia Furquim de Almeida, do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP, esse aumento da mortalidade infantil causou surpresa. A docente explica que o indicador da taxa é muito sensível às condições de vida da população. Nos últimos anos, a crise econômica e os cortes que foram feitos na área de atenção básica à saúde, no saneamento básico e no programa Bolsa Família também tiveram impacto na taxa de mortalidade infantil. A docente elucida que o programa Bolsa Família consiste em transferência de renda condicionada. Uma das condições para o recebimento da bolsa é a vacinação adequada nos momentos adequados. Por isso, os cortes nesse programa tiveram impacto no aumento da taxa.

A taxa apresenta dois componentes: o neonatal, que vai até os 28 dias de vida; e o pós-neonatal, que abrange dos 28 aos 365 dias de vida. A Prof. Marcia explica que o que tem apresentado aumento, de 2015 para 2016, é o componente pós-neonatal, já que está mais relacionado a doenças como diarreia, ligada ao saneamento, e doenças associadas às condições de vida.

Outro fator para o aumento dessa taxa, elucida a docente, é a redução no número de nascimentos. Parte dessa redução é atribuída à epidemia de zika vírus, que fez com que muitas pessoas deixassem de engravidar; além de questões econômicas, como falta de emprego e problemas com a renda.

Marcia ainda ressalta a importância de seguir o calendário de vacinação para garantir a imunização adequada contra as doenças.

Confira a participação da Prof. Marcia na GloboNews.