Maria Laura Louzada e Carlos Monteiro falaram sobre alimentos ultraprocessados, seus impactos na saúde humana e sua relação com políticas públicas

Os cientistas Carlos Monteiro e Maria Laura Louzada

Mesmo com as dificuldades impostas pela pandemia da Covid-19, o Nupens dá sequência às suas ações de colaboração internacional — desta vez, participando de webinares organizados por instituições estrangeiras.

No início desta semana, a pesquisadora Maria Laura Louzada integrou a conversa “O que você precisa saber sobre alimentos ultraprocessados — a ciência, as respostas políticas e a política no contexto global”. O evento foi realizado pela Rede de Promoção da Amamentação da Índia, que trabalha pela nutrição adequada de mulheres e crianças.

Louzada foi a única mulher e a única cientista latino-americana a participar do evento. Ao lado dela, estiveram três pesquisadores baseados na Índia e um pesquisador baseado na Austrália.

Em sua fala, Louzada retomou as análises sobre o histórico do consumo alimentar no Brasil. Entre 1987 e 2009, observou-se uma queda nas compras de itens como arroz, feijão, óleo e açúcar, e um aumento nas compras de comidas prontas e bebidas açucaradas.

A leitura destes dados foi essencial para que o Nupens detectasse o impacto do processamento de alimentos na saúde humana e criasse a classificação NOVA de alimentos — hoje usada como base para pesquisas da área de epidemiologia nutricional em diversos países.

A pesquisadora também abordou a relação dos alimentos ultraprocessados com uma série de doenças, como diabetes e câncer. Saiba mais sobre o webinar e veja os dados apresentados por Louzada (em inglês).

Ainda em julho, o professor e coordenador do Nupens, Carlos Monteiro, participou de uma transmissão realizada pelo Instituto de Política Urbana de Alimentos da Universidade da Cidade de Nova York.

Intitulado “Alimentos ultraprocessados: seu papel na saúde e nas doenças alimentares”, o webinar também contou com a fala de Amos Laar, pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade de Gana.

Monteiro relembrou os dez anos da classificação NOVA, e comentou sobre a recém-publicada revisão sistemática que mostra a relação dos ultraprocessados com um vasto número de doenças crônicas que atingem populações no mundo inteiro.

O pesquisador enfatizou a necessidade de uma resposta da saúde pública à lógica industrial de produzir alimentos com ingredientes de baixa qualidade e baixo custo para aumentar as margens de lucro.

Segundo ele, os alimentos ultraprocessados concentram uma série de atributos danosos à saúde. Além de terem um perfil nutricional desbalanceado, precarizam a dieta por reduzirem a ingestão de fibras, proteínas e micronutrientes (como vitaminas e minerais). Além disso, aumentam o consumo de energia entre 20 a 30%, principalmente pelo alto de teor de açúcares e gorduras.

O pesquisador também falou sobre os diversos contaminantes que estes alimentos carregam, desde componentes químicos adicionados, até aqueles obtidos pelas variações de temperatura e pressão inerentes ao processamento. Até mesmo os materiais utilizados nas embalagens podem ser contaminantes de ultraprocessados.

Veja a íntegra do webinar (em inglês).