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Por que publicar um guia alimentar?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) recomendam há mais de 20 anos que os governos elaborem guias alimentares baseados em alimentos. Afinal, as pessoas comem alimentos (e não nutrientes). Esses guias devem, em última instância, orientar e estimular as pessoas a adotarem estilos de vida mais saudáveis e a fazerem escolhas alimentares mais adequadas.

O guias alimentares são uma tecnologia de saúde essencial para a melhora dos padrões de alimentação e nutrição e a promoção da saúde das populações. Uma vez que os hábitos alimentares e as condições de saúde das populações se modificam ao longo do tempo, por inúmeros fatores, torna-se necessária sua atualização periódica, até porque se trata de ferramenta orientadora de políticas públicas, que devem se adequar às necessidades da população. 

Você sabia que a FAO contabiliza 92 países apresentando guias alimentares?

  • 7 na África
  • 4 no Oriente Próximo
  • 33 na Europa
  • 28 na América Latina e Caribe
  • 2 na América do Norte
  • 18 na Ásia e Pacífico

O que é o Guia Alimentar para a População Brasileira?

Um instrumento para apoiar e incentivar a promoção da saúde e de práticas alimentares saudáveis e sustentáveis no âmbito individual e coletivo. Também para subsidiar a elaboração de políticas, programas e ações voltadas à saúde e à segurança alimentar e nutricional da população.Trata-se de uma das estratégias para a implementação da diretriz de promoção da alimentação adequada e saudável (PAAS), que integra a Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN) e a Política Nacional de Promoção da Saúde do Sistema Único de Saúde.


Como o Guia está organizado?

Em linguagem de fácil compreensão, está organizado em cinco capítulos:

  1. Princípios
  2. A escolha dos alimentos
  3. Dos alimentos às refeições
  4. O ato de comer e a comensalidade
  5. A compreensão e a superação de obstáculos

Quais são os princípios orientadores do Guia Alimentar?

O Guia Alimentar reconhece e considera os princípios e diretrizes do Marco de Referência de Educação Alimentar e Nutricional e do Marco de Referência da Educação Popular para as Políticas Públicas.

Além deles, há cinco princípios incluídos no Guia Alimentar:

  1. Alimentação é mais que ingestão de nutrientes
  2. Recomendações sobre alimentação devem estar em sintonia com seu tempo
  3. Alimentação adequada e saudável deriva de sistema alimentar social e ambientalmente sustentável
  4. Diferentes saberes geram o conhecimento para a formulação de guias alimentares
  5. Guias alimentares ampliam a autonomia nas escolhas alimentares

A partir desses princípios, o Guia traz recomendações que orientam para a escolha de alimentos que componham refeições nutricionalmente balanceadas, saborosas e culturalmente apropriadas, e, ao mesmo tempo, promotoras de sistemas alimentares social e ambientalmente sustentáveis.


Qual é o modelo de recomendações alimentares proposto pelo Guia Alimentar?

O Guia Alimentar oferece uma perspectiva inovadora, que se opõe a recomendações alimentares centradas em nutrientes (o paradigma do nutricionismo), e utiliza como parâmetro a classificação NOVA, a qual organiza os alimentos segundo o propósito e a extensão do processamento – e não de acordo com o tipo de nutriente predominante no alimento. Nessa perspectiva, deixam de ser tratados apenas como carreadores de nutrientes e fornecedores de calorias.

O processamento de um alimento tem impacto social e cultural, influenciando o contexto (quando, onde, com quem), com quais outros alimentos e em que quantidade ele será consumido. Além disso, esse modelo expõe a importância do impacto ambiental causado pelo tipo de processamento utilizado.

Na classificação NOVA, os alimentos são categorizados em quatro grupos:

  1. In natura e minimamente processados
  2. Ingredientes culinários
  3. Processados
  4. Ultraprocessados

Para saber mais sobre a classificação NOVA, desenvolvida pelo Nupens USP, acesse os vídeos e artigos científicos disponíveis neste website.


Quem publicou o Guia Alimentar?

Trata-se de documento oficial do Ministério da Saúde do Brasil, que veio a público em 2014, em substituição à primeira edição, publicada em 2006. O processo de atualização do Guia Alimentar começou em 2011 e contou com a colaboração técnica do Nupens USP.


Quais são os aspectos inovadores da segunda edição deste Guia Alimentar?

A segunda edição do Guia Alimentar não é um instrumento prescritivo, ou seja, não estabelece dietas, tampouco determina as porções ou a quantidade necessária de comida para uma refeição saudável. É importante lembrar que as porções necessárias para um podem diferir muito das que outra pessoa precisa. Este Guia Alimentar orienta nosso olhar para a qualidade do alimento. O que estamos comendo? Também traz recomendações sobre outros aspectos, geralmente negligenciados nos momentos de escolha alimentar. Como, onde, quando e com quem estamos comendo? De onde vem esse alimento? Como chegou até mim? Será que ele é fruto de um sistema alimentar cultural e ambientalmente sustentável? Essas e outras perguntas norteiam a espinha dorsal desta segunda edição.


Quem forneceu os subsídios técnicos para a elaboração do Guia Alimentar?

A Coordenação-Geral de Alimentação e Nutrição (CGAN) do Ministério da Saúde, o Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP/USP) e a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) colaboraram do ponto de vista técnico para o desenvolvimento da publicação.

A versão final do Guia baseou-se nas contribuições recebidas durante a fase de consulta pública (3.125 contribuições), entre 10 de fevereiro e 7 de maio de 2014, pela página do Ministério da Saúde, período em que foram realizadas reuniões por todo o Brasil com a finalidade de fomentar o debate sobre o conteúdo da versão preliminar, estimulando o envio de sugestões pelos mais diversos atores.


A quem se destina o Guia Alimentar?

A todos os brasileiros, principalmente àqueles difusores de suas informações e recomendações: profissionais de saúde, agentes comunitários, educadores, formadores de recursos humanos, trabalhadores envolvidos na promoção da saúde da população, dentre outros.

O conteúdo do Guia Alimentar também é voltado a indivíduos que apresentem condições ou doenças específicas, mas, nesse caso, é importante que haja um acompanhamento de nutricionista para fazer adaptações quando necessário.

Para obter informações sobre alimentação de crianças menores de 2 anos de idade, acesse outras publicações do Ministério da Saúde.


Quais são as recomendações gerais do Guia Alimentar?

  1. Tornar alimentos in natura e minimamente processados, em grande variedade e predominantemente de origem vegetal, a base da alimentação.
  2. Utilizar óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades ao temperar e cozinhar alimentos e criar preparações culinárias.
  3. Limitar o consumo de alimentos processados (conservas, compotas, queijos, pães), que podem acompanhar refeições baseadas em alimentos in natura e minimamente processados.
  4. Evitar o consumo de ultraprocessados, que tendem a ser consumidos em excesso e a substituir refeições baseadas em alimentos in natura e minimamente processados.
  5. Comer com regularidade e atenção, em ambientes apropriados e, sempre que possível, em companhia.
  6. Fazer compras em feiras livres, sacolões, mercados que ofertem variedades de alimentos in natura e minimamente processados.
  7. Desenvolver, exercitar e partilhar habilidades culinárias, principalmente, com crianças e jovens.
  8. Planejar o uso do tempo para dar à alimentação o espaço que ela merece – da compra e organização dos alimentos até a definição do cardápio e a divisão das tarefas domésticas relacionadas ao preparo das refeições.
  9. Preferir comer, quando fora de casa, em locais que sirvam refeições frescas (restaurantes de comida caseira ou a quilo).
  10. Ser crítico quanto à publicidade de alimentos, que tem como único objetivo o aumento da venda de produtos.

Como a POF 2008-2009 apoiou o Guia Alimentar?

Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi uma ferramenta essencial no desenvolvimento das orientações do Guia Alimentar. Nela, mais de 30 mil brasileiros com 10 anos ou mais de idade, uma amostra representativa de todas as regiões do país, tiveram sua alimentação estudada detalhadamente.

Os resultados mostraram que alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias elaboradas com esses ingredientes apresentam composição nutricional superior à de alimentos processados ou ultraprocessados e correspondem a quase dois terços da alimentação dos brasileiros em termos de calorias consumidas.

Um quinto dos brasileiros chegam a obter 85% ou mais do total das calorias diárias de alimentos in natura e minimamente processados, valor que se aproxima das recomendações nutricionais da Organização Mundial da Saúde. Foram justamente as refeições desses brasileiros que nortearam a eleição dos exemplos de pratos saudáveis (café da manhã, almoço e jantar) apresentados no Guia Alimentar.


Onde encontrar outras evidências científicas que apoiaram o Guia Alimentar?

O capítulo “Para saber mais” (pág. 131), do Guia Alimentar, apresenta as referências (artigos científicos e livros) que respaldaram a elaboração dos cinco capítulos do Guia. Neste website, você também encontra artigos científicos e livros que mostram o que a ciência já sabe sobre alimentação saudável, guias alimentares, classificação NOVA, políticas públicas e ambiente alimentar.


Onde encontrar o Guia Alimentar?

Esta publicação está hospedada na Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, mas também se encontra nesta página. Basta clicar na imagem de capa do Guia Alimentar (acima).


Você sabia? O Guia Alimentar para a População Brasileira tornou-se uma referência para outros países que se encontram em fase de discussão para o desenvolvimento ou atualização de seus guias alimentares.


Fonte: Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.