Produzido por uma equipe interdisciplinar, incluindo pesquisadores da FSP-USP, um artigo de opinião publicado na revista British Medical Journal (BMJ) repercutiu em diversos veículos de comunicação. O texto defende que os sistemas de saúde na Amazônia brasileira precisam ser repensados em meio ao cenário de mudanças climáticas, eventos extremos e insegurança alimentar. Os cientistas também argumentam que a saúde deve ser pensada numa perspectiva crítica que inclua os saberes tradicionais, científicos e políticos.
É fundamental valorizar os conhecimentos tradicionais sobre alimentação e as práticas dietéticas para conter a disseminação dos alimentos ultraprocessados. Em algumas regiões, o sistema público de saúde já adota essa abordagem híbrida. Um exemplo importante é o trabalho das parteiras, que combinam práticas biomédicas e ancestrais para oferecer cuidados em territórios vastos e de difícil acesso”, traz o texto.
“O setor de saúde entrou tardiamente no debate sobre a emergência climática e, em particular, no tema da adaptação. No entanto, ele deveria ser protagonista, visto que os eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e tornados, têm se intensificado e afetado cada vez mais pessoas”, disse a professora Gabriela Di Giulio, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP, em entrevista ao Jornal da USP. O professor Leandro Giatti, do mesmo departamento, também é autor do texto.
O artigo “Health systems in the Amazon need to be reimagined for a more sustainable future”, pode ser lido aqui: bmj.com/content/391/bmj.r1925
Outro trabalho recente, publicado na revista Saúde e Sociedade, mostra os desafios enfrentados por profissionais de saúde na assistência materno-infantil às mulheres indígenas. O artigo “Humanização no atendimento às mulheres indígenas em um hospital referência no Mato Grosso do Sul, Brasil” (edição 34, vol.3, 2025), assinado pela pesquisadora Verônica Gronau Luz e colegas, avalia o atendimento em um hospital universitário que serve a uma das maiores populações indígenas do país.
O texto revela tensões profundas entre políticas públicas, práticas institucionais e as realidades vividas pelas mulheres Guarani, Kaiowá e Terena, no Mato Grosso do Sul.
A partir das micro disputas e das percepções dos trabalhadores do serviço, o estudo evidencia lacunas importantes quanto ao (des)conhecimento sobre as etnias atendidas, as fragilidades na implementação da Política Nacional de Humanização (HumanizaSUS) e as dificuldades persistentes no diálogo entre o modelo biomédico e os saberes tradicionais indígenas.
Entre outras revelações, o texto traz a necessidade de transformar a organização do trabalho, a formação profissionais e também as posturas institucionais frente às singularidades culturais, linguísticas e de cosmovisão dos públicos atendidos.
Leia o artigo na íntegra aqui.