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Pesquisa nacional levanta os desafios enfrentados por profissionais de saúde no combate à pandemia

A pesquisa “Desafios da Atenção Básica no enfrentamento da pandemia de COVID-19 no SUS 2021”, realizada por múltiplas instituições e universidades de todo o país, continuará a entrevistar equipes de saúde para identificar as estratégias e constrangimentos no atendimento durante o período de pandemia. A professora Aylene Emilia Moraes Bousquat, do Departamento de Política, Gestão e Saúde da FSP-USP, é uma das coordenadoras do trabalho, que conta também com os(as) cientistas Ligia Giovanella (Fiocruz), Luiz Augusto Facchini (UFPEL), Geraldo Cury (UFMG), Maria Helena Magalhães de Mendonça (Fiocruz) e Fúlvio Nedel (UFSC) na coordenação do trabalho. 

Em formato web-survey, o questionário será enviado para profissionais de uma amostra nacional de Unidades Básicas de Saúde (UBS) representativa para as cinco regiões brasileiras. As UBS sorteadas em cada Região serão contatadas por pesquisadores para convidar um profissional de saúde da UBS para preencher o questionário online. 

O estudo é uma iniciativa da Rede de Pesquisa em Atenção Primária à Saúde da Abrasco, com apoio da OPAS e da Umane e tem como objetivo identificar os principais constrangimentos e as estratégias de reorganização da Atenção Básica, utilizadas pelas equipes da Estratégia Saúde da Família e/ou da Atenção Básica no enfrentamento da COVID-19 nos municípios brasileiros.

Serão coletadas informações sobre: estrutura física da UBS e recursos disponíveis de conectividade; equipamentos de proteção individual; insumos básicos para o atendimento de usuários com quadros de COVID-19; ações de vigilância nos territórios; processo de reorganização da UBS para o cuidado a usuários com quadro de COVID-19; estratégias de continuidade das ações usualmente realizadas na UBS e uso de teleconsulta e telemonitoramento; ações comunitária e de apoio social; atuação dos agentes comunitários de saúde; características do acesso à rede secundária e terciária nos casos que necessitam de cuidados clínicos de outros níveis; e sobre processo de vacinação contra a COVID-19.

Os resultados da pesquisa serão consolidados por grandes regiões do país, analisados, sintetizados e amplamente divulgados para orientar a formulação de recomendações de iniciativas mais adequadas aos diferentes contextos nacionais, com base nas experiências e nas dificuldades encontradas.

A pandemia de COVID-19 é um desafio sem precedentes para a ciência, para os sistemas de saúde e para a sociedade, cobrando respostas rápidas e diversas. Dentro dos inúmeros desafios dos sistemas de saúde é crucial que se discuta o papel da Atenção Básica neste enfrentamento. 

A preocupação sobre a resposta do sistema de saúde tem estado centrada nos serviços hospitalares e na contabilidade de leitos hospitalares e de UTIs. A reorganização dos serviços de atenção primária à saúde (APS) é imperativa, uma vez que a maioria dos casos infectados são assintomáticos ou apresentam formas leves da doença, com indicação de isolamento domiciliar, e deverão ser monitorados pela APS/AB e oportunamente  encaminhados a outros níveis do sistema, conforme necessidade. Ademais, em inúmeros municípios brasileiros o único serviço de saúde disponível são as UBS, o que reforça esta preocupação. 

O enfrentamento da pandemia de COVID-19, além da garantia do cuidado individual, requer uma abordagem comunitária de vigilância da saúde. Os serviços de atenção primária do SUS, especialmente, as equipes da Estratégia Saúde da Família, por seus atributos de responsabilidade territorial, orientação comunitária e sua forte capilaridade em todo o território nacional, são os mais adequados para esta abordagem. Mais que nunca, faz-se necessária a articulação do individual com o coletivo, a atuação integrada no âmbito das unidades de saúde com os territórios, a comunidade e seus equipamentos sociais. 

É importante que a reorganização do processo de trabalho na APS no contexto da epidemia se faça de modo a preservar os seus atributos de acesso, longitudinalidade, coordenação do cuidado, abordagem familiar e abordagem comunitária. Ademais, é necessário manter o contato das pessoas com os profissionais de saúde que cuidam delas diariamente, para detectar precocemente a infecção por COVID-19, monitorá-la, garantir a continuidade dos cuidados dos grupos prioritários e dos usuários com doenças crônicas, cuidar daqueles acometidos das síndromes pós-COVID-19, e promover o apoio social aos grupos vulneráveis, ao mesmo tempo em que se garantem as condições de proteção dos trabalhadores de saúde e da população.

Foto na home: Michel Corvello/Flickr