
Da esq. p/ dir.: Diretor da FSP-USP, José Leopoldo Ferreira Antunes; Moises Goldbaum, prof. da FMUSP; e Iracema Ester do Nascimento Castro, coordenadora de Epidemiologia e Informação (CEInfo SMS São Paulo).
Os primeiros resultados do Inquérito de Saúde da Capital (ISA Capital) 2024 foram apresentados no auditório João Yunes, na FSP-USP, na manhã do dia 14 de outubro de 2025. Neste trabalho colaborativo de fôlego com Secretaria Municipal de Saúde, foram visitados 15.172 domicílios em 659 ruas da capital. Os primeiros dados analisados apontam um aumento do uso dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Muitas áreas ainda serão analisadas em detalhes. A divulgação do ISA Capital 2024 ocorrerá de forma seriada, com a publicação de boletins temáticos. A edição com os primeiros resultados traz um panorama geral dos diversos temas abordados no inquérito, enfatizando a situação de saúde dos residentes no município.
Segundo o relatório que acaba de ser divulgado, o SUS cobriu quase 60% (57,6%) das despesas de saúde da população paulistana, sendo que os jovens entre 10 e 19 anos apresentaram a maior proporção de atendimento deste universo, ultrapassando 67% das consultas financiadas pela rede pública, mais inclusive que os idosos, que apontaram 54,4% dos atendimentos pelo SUS.
Nas internações, 56,2% foram custeadas pelo sistema, enquanto constata-se um decréscimo da população que tem plano de saúde, de 41,8% para 37,8%.
Já a proporção da população de 10 anos ou mais de idade que afirmou que teve algum problema de saúde nas duas semanas anteriores à entrevista foi de 25%, valor significativamente maior do que no inquérito anterior, quando foi 18,8%, mas semelhante ao de 2008 (20,9%) e 2003 (28,8%). O estrato com a maior proporção de relatos de problemas nas duas semanas anteriores à pesquisa foi o de mulheres com idades entre de 20 a 59 anos, com 28,2%.
O ISA-Capital está em sua quarta edição -as anteriores foram realizadas em 2003, 2008 e 2015. Em 2024, foram coletadas informações de mais de 5.000 pessoas não institucionalizadas residentes no município de São Paulo. Trata-se de uma pesquisa minuciosa para conhecer o estado de saúde, hábitos de vida e uso de serviços de saúde pela população da capital, cujos resultados devem nortear a criação ou aprimoramento de políticas públicas na área da saúde e contribuir para a elaboração do Plano Municipal de Saúde nos próximos anos.
O questionário desta edição incluiu questões sobre o diagnóstico de Covid-19, além de abordar como a pandemia impactou o ânimo e a saúde mental dos entrevistados; também trouxe questões relacionadas a segurança alimentar, acidentes no trabalho, atitudes e práticas de vacinação de crianças de 0 a 6 anos e sobre a presença de cães e gatos nos domicílios.
Historicamente, a pesquisa tem produzido evidências para a produção de políticas públicas na área da saúde. Os dados permitem comparações com resultados anteriores, a avaliação das mudanças ocorridas no Município nos últimos vinte anos e a incorporação de novas informações de saúde, a partir de necessidades identificadas.

Luiz Artur Vieira Caldeira, chefe de Gabinete da SMS-SP, ao lado do diretor da FSP-USP, prof. José Leopoldo Ferreira Antunes.

Professora Zilda Pereira da Silva, do Departamento de Epidemiologia da FSP-USP, uma das coordenadoras do projeto.
Delineando políticas públicas
“O ISA-Capital é fundamental para conhecermos melhor a realidade das famílias que vivem na cidade de São Paulo. A cada nova pesquisa, os resultados servem como bússola precisa para nortear as políticas públicas já implementadas e dar diretrizes a novos programas e linhas de cuidado. Ele é um diagnóstico não apenas para tratarmos doenças, mas principalmente para promovermos saúde com ações preventivas, voltadas ao perfil de cada região da cidade, com suas necessidades e especificidades”, avalia o secretário municipal da Saúde, o médico Luiz Carlos Zamarco.
Na fase das entrevistas, foram a campo 30 entrevistadores uniformizados e identificados por crachás da FSP-USP, que poderiam ser confirmados no QR Code impresso nos cartões de identidade. As visitas foram feitas a residências nas seis regionais de saúde, com endereços sorteados segundo critérios estatísticos, de forma a representar a população com mais de 10 anos de idade.
Para a realização do inquérito, foi utilizada amostragem com base no Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e nos domicílios por região. Ao todo, foram visitados 15.172 domicílios em 659 ruas da capital. Dos entrevistados, 2.488 (45,5%) eram do sexo masculino e 2.984 (54,5%) do feminino, sendo 1.397 (25,5%) de 10 a 19 anos, 2.585 (47,2%) de 20 a 59 anos e 1.490 (27,2%) de 60 anos e mais.
O questionário eletrônico da pesquisa incluiu conjuntos temáticos sobre: condições socioeconômicas do entrevistado, características da família e domicílio, morbidade nos últimos quinze dias, utilização de serviços de saúde, utilização de medicamentos, saúde mental, doenças crônicas, com ênfase em hipertensão e diabetes, deficiências físicas, práticas preventivas: câncer de mama, de colo de útero, de próstata e de colón. Além do histórico de vacinação e se há vítimas de acidentes ou violência em cada residência que participou do estudo.
O processo pós-coleta de dados teve início em fevereiro deste ano, envolvendo 20 pessoas, entre pesquisadores, técnicos, professores e alunos da FSP; em junho, 40 profissionais da SMS foram capacitados para realizar a análise dos dados, finalizada no início do mês de outubro.


Fonte: Ascom FSP-USP com Ascom SMS-SP.
Conheça o site do ISA Capital.