
Evento na OPAS reuniu gestores e especialistas para qualificar o microplanejamento de ações contra doenças de determinação social; Professor Marco Akerman (foto) contribuiu com debate sobre articulação entre setores. (Imagem: acervo pessoal)
Nos dias 9 e 10 de março de 2026, Brasília sedia uma série de encontros estratégicos em celebração aos dois anos do Programa Brasil Saudável – Unir para Cuidar. Realizado na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), o evento tem como objetivo central consolidar a governança e qualificar o microplanejamento das ações que visam eliminar doenças determinadas socialmente no país, alinhando as metas brasileiras à Agenda 2030 da ONU.
A programação teve início nesta segunda-feira (09) com uma oficina técnica voltada a representantes das secretarias estaduais de saúde, dos Conselhos de Secretários Municipais (COSEMS), do Conselho Nacional de Saúde (CNS), além do CONASS e CONASEMS. O foco foi a operacionalização do programa na ponta, onde a realidade dos territórios exige respostas integradas.
A Ciência do “Unir para Cuidar”
Um dos pilares discutidos no encontro foi a intersetorialidade — a capacidade de diferentes áreas do governo (saúde, assistência social, educação, saneamento) trabalharem em conjunto. A Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP) esteve presente no debate através do Professor Marco Akerman, recentemente eleito para a próxima gestão da diretoria da Faculdade, que ministrou a conferência de abertura sobre o trabalho intersetorial.
Em sua fala, Akerman utilizou a literatura para ilustrar o desafio da gestão pública, citando o poeta John Donne: “Nenhum homem, nenhuma pessoa, é uma ilha inteiramente isolada. Cada pessoa é um pedaço do continente, uma parte do território principal”, relembrou o professor. Ele destacou que a intersetorialidade não é apenas um conceito teórico, mas uma ferramenta de sobrevivência para as políticas públicas: “A intersetorialidade tem um chamamento para esse processo de articulação, de busca de comuns, para resolver os problemas da humanidade, dos municípios e dos territórios.”
Evidências e Práticas no SUS
Além da contribuição da FSP-USP, o evento contou com a participação da professora Ethel Maciel (UFES), que apresentou evidências científicas sobre como a integração de políticas reduz a carga de doenças de determinação social. Representantes do Ministério da Saúde, como Draurio Barreira e Patrícia Sanine (DATHI/SVSA), detalharam como o Programa Brasil Saudável tem avançado na integração entre o SUS e o SUAS (Sistema Único de Assistência Social).
Para Akerman, o sucesso do programa depende de uma “autoconsciência” dos gestores locais: “A intersetorialidade é uma invenção prática que busca reunir atores, recursos e ideias para solucionar um problema comum. Cabe aos atores envolvidos desenvolver uma autoconsciência dessa prática nos territórios”, afirmou.