
O seminário “Estado e violência no Brasil contemporâneo: reflexões da antropologia do Estado” ocorrerá no dia 12 de março (quinta-feira), das 13h30 às 18h30. O evento será sediado na Faculdade de Saúde Pública (FSP-USP), no Anfiteatro Paula Souza, e contará com oito especialistas que abordarão os temas “Transformações na relação entre Estado e violência no Brasil atual” e “Cracolândia: políticas públicas e marginalização da vulnerabilidade”.
Segundo os pesquisadores, “no Brasil, a antropologia do Estado se desenvolveu tendo a violência estatal como questão constitutiva: não welfare state ou burocracia redistributiva, mas necropolitica urbana, encarceramento massivo e extermínio de jovens negros”. E convidam à reflexão: Esta especificidade não é apenas empírica, mas epistemológica: o que significa pensar o Estado “a partir da violência”? E quanto essa reflexão se impõe novamente diante do avanço da extrema direita e dos ataques democráticos?
Ao reunir pesquisadoras e pesquisadores cujas trajetórias articulam etnografia urbana, antropologia política e estudos sobre violência institucional, o evento propõe examinar como projetos políticos se traduzem na atuação cotidiana do Estado, especialmente em territórios marcados por disputas, ilegalismos e intervenções intensivas.
A Cracolândia aparece como caso privilegiado para pensar como políticas públicas podem produzir instabilidade territorial e expulsão urbana, ao mesmo tempo em que revelam formas de permanência, conflito e negociação. O objetivo é posicionar a produção antropológica brasileira como interlocutora central para repensar as relações entre Estado, violência e democracia no presente.
Programação:
14h15 – 14h30 – Abertura e apresentação do evento
14h30 – 16h – Mesa 1 – Transformações na relação entre Estado e violência no Brasil atual Moderação: Flávio Eiró – Vrije Universiteit Amsterdam, Adriana Vianna – Museu Nacional/UFRJ, Vera Telles – Departamento de Sociologia da USP e Flávia Medeiros – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Perguntas norteadoras: O que significa pensar a antropologia do Estado a partir da violência como tecnologia ordinária de governo? Como dispositivos de controle e cuidado se reconfiguram no contexto de avanço da extrema direita e da mediação tecnológica? De que modo transformações políticas recentes reordenam as fronteiras entre proteção, punição e abandono?
16h – 16h15 – Intervalo
16h15 às 17h45 – Mesa 2 – Cracolândia: quando políticas públicas constroem a expulsão urbana Moderação: Taniele Rui – Unicamp, Giordano Magri – Centro de Estudos da Metrópole, Amanda Amparo – Antropologia da USP e Diego Madi – Faculdade de Saúde Pública da USP.
Perguntas norteadoras: Como a Cracolândia desapareceu? Como projetos políticos são traduzidos na atuação cotidiana das burocracias em sua interação com grupos marginalizados? O que esse caso revela sobre governança urbana contemporânea?
17h45 – 18h | Encerramento
Seminário “Estado e violência no Brasil contemporâneo: reflexões da antropologia do Estado”
Data: 12 de março de 2026
Horário: das 12h às 19h30
Local: Av. Dr. Arnaldo, 715 – São Paulo | Faculdade de Saúde Pública – Anfiteatro Paula Souza (Térreo)