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Extremos climáticos e saúde: projeto temático de pesquisa iniciará cooperação internacional em fevereiro de 2026

Investigar eventos climáticos extremos como ondas de calor, secas e chuvas intensas é um dos objetivos do projeto. Jardim Pantanal, na Zona Leste da Capital, será uma das localidades estudadas.

Intitulado “Nexos urbanos de clima e saúde: ampliando a resiliência e a equidade na saúde por meio da ciência cidadã, da modelagem de sistemas dinâmicos e da inovação em políticas públicas”, o projeto temático recém-aprovado pela Fapesp prevê a análise de contextos diversos de vulnerabilidades urbanas no Brasil e na Holanda.

O trabalho se insere no contexto de eventos climáticos extremos, com intensidade e frequência crescentes, como ondas de calor, chuvas intensas e secas severas e será conduzido entre 2026 e 2030 no Brasil, pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP) e pelo Instituto de Energia e Ambiente (IEE USP), em colaboração com o Instituto Leônidas & Maria Deane (Fiocruz Amazônia) e o Instituto Alana. A parceria internacional será com a Universidade de Amsterdã (UvA), na Holanda.

Os pesquisadores buscarão propor o desenvolvimento de modelos sistêmicos para a interpretação dos impactos e ameaças à saúde humana e a formulação de inovações em políticas a partir de processos participativos envolvendo comunidades e gestores públicos.

Segundo o professor Leandro Giatti, do Departamento de Saúde Ambiental da FSP-USP, a pesquisa compreenderá quatro estudos de caso: dois no Brasil -Jardim Pantanal em São Paulo (SP) e Parque das Tribos em Manaus (AM); e dois na Holanda -Nelson Mandelapark (Amsterdam e Ede).

O professor diz que a investigação parte do incômodo causado pela intensificação dos fenômenos climáticos extremos, que vêm afetando severa e desproporcionalmente as populações marginalizadas, exacerbando as desigualdades de saúde, aprofundando vulnerabilidades e disparando crises em cascata, com efeitos à saúde física e mental.

A abordagem sistêmica de investigação sobre os extremos climáticos ancora-se na perspectiva de que se trata de uma “policrise” multidimensional, integrando e estabelecendo paralelos entre a crise planetária e seus reflexos em contextos locais.

 

Etapas da investigação

O projeto conta com três fases de investigação: 1) Compreensão dos problemas e análise de fundamentos; 2) Integração e construção de modelos analíticos sistêmicos e codesenvolvimento junto a comunidades e gestores; 3) Propostas participativas de mudanças, com refinamento dos modelos analíticos e inovação colaborativa em políticas públicas. 

Os estudos de caso serão conduzidos a partir do desenvolvimento colaborativo de diagramas de circuito causal, cocriados com os parceiros locais da pesquisa, a fim de identificar circuitos de retroalimentação das vulnerabilidades e pontos-chave para intervenções inovadoras e eficazes.

A investigação combinará revisões da literatura com coleta de dados primários, valendo-se da abordagem de ciência cidadã para integrar saberes locais, conhecimentos empíricos e técnico-científicos e, assim, desenvolver e aperfeiçoar interativamente os modelos analíticos.

No conjunto das estratégias de pesquisa aplicada, espera-se evidenciar e valorizar contextos locais e experiências vividas, assumindo que apenas as pessoas e comunidades implicadas nas dinâmicas territoriais em que impactos e riscos interdependentes se concretizam podem compreender aspectos fundamentais de suas realidades e experiências.

Os modelos resultantes servirão de base ao desenvolvimento de intervenções através da integração de sistemas de conhecimento híbridos para a promoção de soluções políticas equitativas e resilientes diante dos extremos climáticos.

Os esforços visam melhorar os sistemas de Atenção Básica à saúde e capacitar as comunidades para enfrentarem os impactos e riscos à saúde no contexto da emergência climática.

Ao considerar impactos imediatos e cumulativos a longo prazo, o projeto também procura gerar conhecimentos que promovam a equidade na saúde e a justiça climática. Os resultados esperados incluem recomendações políticas específicas para cada local estudado e um quadro de modelagem transferível e aplicável a outros ambientes urbanos vulnerabilizados, tanto no Sul como no Norte Global.

 

Projeto temático

“Nexos urbanos de clima e saúde: ampliando a resiliência e a equidade na saúde por meio da ciência cidadã, da modelagem de sistemas dinâmicos e da inovação em políticas públicas”,

Título original em inglês: Urban Climate Health Nexus: Enhancing Resilience and Health Equity through Citizen Science, Dynamic System Modeling, and Policy Innovation

 

Informações sobre a chamada internacional:
Acordos de Cooperação / NWO – Netherlands Organization for Scientific Research / NWO – Projeto de Pesquisa – Temático – Chamada de Propostas (2024) (https://fapesp.br/16632/chamada-conjunta-fapesp-nwo-2024)

 Divulgação do resultado na página da FAPESP:
https://fapesp.br/17892/scientific-collaborations-between-sao-paulo-and-the-netherlands-are-supported