Um estudo internacional com participação da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP) indica que dirigir de madrugada está associado a um risco significativamente maior de acidentes graves nas rodovias brasileiras. De acordo com a pesquisa, a probabilidade de ocorrência desses acidentes entre 2h e 4h da manhã é até 3,5 vezes maior em comparação com o período diurno.
O trabalho analisou dados de acidentes registrados pela Polícia Rodoviária Federal em rodovias federais brasileiras e foi conduzido por pesquisadores do Instituto Mauá de Tecnologia, da Universidade de Swansea (Reino Unido) e da USP. Os resultados foram publicados no Brazilian Journal of Medical and Biological Research.
A professora Claudia Moreno, do Departamento de Saúde e Sociedade da Faculdade de Saúde Pública da USP, é uma das autoras do estudo e concedeu entrevistas à Folha de S.Paulo e ao Estadão, nas quais destacou que a sonolência é o principal fator associado ao aumento do risco de acidentes no período noturno. Segundo a pesquisadora, dirigir com sono pode ser comparável, em termos de risco, a dirigir sob efeito de álcool.
“Existe uma preferência pelas viagens noturnas porque é a hora em que há menos fluxo. Os caminhoneiros viajam mais rápido e gastam menos combustível”, afirmou Claudia Moreno em entrevista. No entanto, ela alerta que essa escolha traz consequências importantes para a segurança viária. “Precisamos ter uma política pública específica para isso; temos que ter mais áreas de descanso nas estradas, áreas seguras. Atualmente, temos paradas em média a cada três horas, mas isso não é suficiente.”
O estudo chama atenção especialmente para a situação dos motoristas profissionais, como caminhoneiros, que muitas vezes não conseguem escolher seus horários de viagem ou descansar adequadamente. O medo de assaltos e de roubo de carga também contribui para que esses trabalhadores evitem parar para cochilos curtos, mesmo quando estão fatigados.
Ao evidenciar a relação entre o horário da condução e o risco de acidentes, os pesquisadores defendem que os resultados devem subsidiar políticas públicas voltadas à segurança no trânsito, incluindo a ampliação de áreas de descanso seguras, campanhas de conscientização sobre os riscos da fadiga e a revisão de práticas no setor de transporte de cargas.
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