Pesquisadores da FSP debatem mortalidade fetal em seminário
Imagem: Zilda Pereira da Silva/Acervo Pessoal

No dia 6 de abril, foi realizado o seminário “Mortalidade Fetal: Desafios do conhecimento e da intervenção (FetRisks)”, para divulgar os resultados do projeto temático financiado pela Fapesp, parceria entre pesquisadores da Faculdade de Saúde Pública e da Faculdade de Medicina, coordenado pelo Prof. Dr. Nelson Gouveia, do Departamento de Medicina Preventiva.

O principal objetivo do encontro foi apresentar e discutir os resultados do projeto FetRisks, desenvolvido desde 2019, para fornecer subsídios para o desenvolvimento de políticas públicas e de protocolos de atenção pré-natal e ao parto, voltados à prevenção da mortalidade fetal, ao acolhimento das gestantes nos serviços de saúde e ao apoio às famílias enlutadas. O encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos, profissionais de saúde, alunos de graduação e de pós-graduação de diversas unidades da USP.

Marcia Furquim de Almeida, professora do Departamento de Epidemiologia, foi uma das idealizadoras do projeto e destacou que este é um estudo pioneiro que utilizou múltiplas fontes de dados para avaliar, de forma abrangente, os fatores de risco para o óbito fetal, com inclusão de coleta de materiais biológicos, raramente usados em estudos populacionais. O estudo tem potencial para orientar estratégias de melhoria na atenção pré-natal e na saúde da mulher.

Gizelton Pereira Alencar, professor do Departamento de Epidemiologia, responsável pelo subprojeto que estuda os avanços metodológicos no estudo dos óbitos fetais, apresentou os avanços significativos que a Análise Estatística de Redes, em especial com o uso de Redes Bayesianas, pode oferecer em relação às análises tradicionais, podendo melhor evidenciar a teia de causalidade envolvida na mortalidade fetal, considerando suas múltiplas dimensões individuais e contextuais.

Zilda Pereira da Silva, professora do Departamento de Epidemiologia, responsável por estudar o luto por óbito fetal, sublinhou como esse luto ainda é um tabu social, não reconhecido pelos serviços de saúde e muitas vezes desautorizado pela sociedade. Tal situação reforça a importância da existência de protocolos que orientem os profissionais de saúde para o cuidado integral e empático nessas situações, contribuindo para um modelo de atenção centrado nas necessidades das famílias enlutadas.

O projeto conta também com o professor Rafael Junqueira Buralli, do Departamento de Política, Gestão e Saúde, que está estudando a relação entre a exposição à poluição do ar no início da gestação e o óbito fetal.

Além dos professores da FSP, também fazem parte do projeto dois pós-doutorandos e três alunas de pós-graduação pela FSP.

Encerrando o encontro, o professor Nelson Gouveia ressaltou como “A integração entre diferentes abordagens metodológicas é fundamental para compreender a mortalidade fetal e propor estratégias de prevenção mais consistentes”.

Para mais detalhes sobre os resultados, confira os artigos completos:
Factors associated with stillbirth in São Paulo, Brazil: FetRiskS – a multidisciplinary case-control study
Exploring pathways between residential greenness and antepartum stillbirth: A mediation analysis

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