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O brasileiro não precisa consumir mais proteína para ser saudável, diz estudo da FSP-USP

Em artigo publicado na Revista de Saúde Pública, pesquisadores da Cátedra Josué de Castro e do Nupens apontam que em todas as faixas de renda praticamente não há déficit de ingestão de proteínas.

Já faz algum tempo que a proteína ganhou “status de influencer” na alimentação, principalmente no mundo fitness e das dietas, onde o nutriente se tornou a chave para o emagrecimento e para o ganho de massa muscular. No entanto, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) afirmam que o que falta na alimentação são outros grupos alimentares de alta densidade nutricional, como frutas e legumes.

O artigo “O mito do déficit protéico”, publicado na Revista de Saúde Pública pelos pesquisadores da Cátedra Josué de Castro (FSP-USP) e do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens-USP), analisou os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2017-2018) e apontou que mesmo entre os 20% de menor renda da população brasileira, é ínfima a proporção dos que apresentam ingestão proteica insuficiente (2,6%), considerando as recomendações da Organização Mundial da Saúde.

É frequente tanto na literatura científica quanto em documentos de organizações de cooperação internacional a associação entre pobreza e carência de proteínas. Há uma armadilha conceitual neste vínculo, que consiste em concentrar a atenção em um nutriente e não no conjunto do padrão alimentar. Entre 1990 e 2015, o Brasil foi o país do mundo em que mais aumentou o consumo per capita de carne bovina e de aves.

Tais achados apontam para a necessidade de que os olhares, historicamente tão voltados ao consumo de proteínas – refletindo tanto a preocupação com uma suposta ingestão insuficiente, quanto a promoção de uma ingestão crescente – se desloquem para o que se encontra verdadeiramente em falta na alimentação dos brasileiros: as frutas, legumes e verduras. De acordo com a pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que também apresenta representatividade nacional, nada menos que 78,6% dos adultos residentes nas capitais de estados brasileiros não alcançavam a recomendação da OMS para consumo de frutas, legumes e verduras (400 g/dia/pessoa) em 2023.

Acesse o artigo: https://catedrajc.fsp.usp.br/publicacao/o-mito-do-deficit-proteico/

Entrevistas:

Nadine Marques, pesquisadora assistente Cátedra Josué de Castro

Maria Laura Louzada, pesquisadora Nupens

Ricardo Abramovay, pesquisador Cátedra Josué de Castro e IEA-USP

Contato:

Gabrielle/Cátedra Josué de Castro/ gabispaula88@gmail.com

https://catedrajc.fsp.usp.br/