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Relatório Bori-Overton lista 107 pesquisadores brasileiros com maior impacto em políticas públicas; oito são do Nupens da FSP-USP

A Agência Bori e a Overton, uma plataforma internacional que trabalha com ciência e políticas públicas, publicou uma lista de 107 pesquisadores brasileiros com produções científicas que embasaram 33,5 mil documentos de políticas públicas desde 2019, impactando decisões no mundo todo. A Faculdade de Saúde Pública, por meio do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens USP), figura na lista com oito cientistas. Do total, 22 (25%) são da Universidade de São Paulo.  Clique aqui para acessar o relatório completo.

Os nomes ligados à FSP-USP, segundo a ordem no ranking, são:

Carlos Augusto Monteiro (2º)
Renata Bertazzi Levy (19º)
Geofrey Cannon (29º)
Maria Laura Louzada (37º)
Jean-Claude Moubarac (39º)
Patricia Constante Jaime (44º)
Fernanda Rauber (71º)
Neha Khandpur (75º) 

 

Premiado internacionalmente, o professor Monteiro, Emérito do Departamento de Nutrição da FSP-USP, é considerado uma referência mundial na área da alimentação e nutrição. Responsável pela criação da classificação Nova de alimentos junto ao seu grupo do Nupens, ele também influenciou políticas de rotulagem de produtos alimentícios. O Guia Alimentar para a População Brasileira, publicado pelo Nupens em parceria com a Opas/Brasil, também é outro trabalho de peso que influenciou políticas públicas do Brasil e diversos países. Monteiro também lidera o Estudo Nutrinet Brasil, maior estudo de coorte sobre os padrões de alimentação e saúde da população brasileira. O podcast Saúde É Pública celebrou os quatro anos do Nutrinet Brasil com uma minissérie especial, disponível no Spotify, além de diversas plataformas de áudio e também no Youtube

Com 142 trabalhos acadêmicos mencionados em 890 documentos de políticas públicas, o cientista dá seu depoimento no relatório da Bori-Overton:

“No Nupens, sempre buscamos fazer uma ciência que dialogue com os grandes desafios sociais do nosso tempo — uma ciência financiada com recursos públicos e livre de conflitos de interesse. O impacto que nossas pesquisas têm tido na formulação de políticas públicas, como o Guia Alimentar para a População Brasileira, mostra que o conhecimento científico pode orientar ações concretas do Estado em favor da saúde da população e da construção de sistemas alimentares mais sustentáveis e justos. Esse reconhecimento reforça a importância de valorizar e proteger a pesquisa científica independente, comprometida com o interesse público e com a promoção da saúde coletiva.”

 

A professora Patrícia Jaime, que ocupa a vice-direção da FSP-USP, comenta ter orgulho do crescente protagonismo feminino representado nessa lista. “As mulheres têm ocupado espaço cada vez mais central na produção científica e no Nupens isso se expressa com força, traduzindo um compromisso real com a equidade e com uma ciência plural e diversa”, afirma.

Patrícia comenta que ficou “muito honrada com o reconhecimento e a oportunidade de ver o trabalho do Nupens/USP refletido nesse levantamento”. “O relatório Bori-Overton é uma iniciativa importante porque amplia a forma como se avalia o impacto da ciência, valorizando sua contribuição para políticas públicas. Nosso compromisso tem sido produzir conhecimento científico voltado à promoção da saúde pública e da alimentação saudável. Esse reconhecimento, portanto, é coletivo e resultado do trabalho de um núcleo de pesquisa comprometido com a ciência como instrumento de transformação social”, diz Patrícia.

 

A jovem cientista Fernanda Rauber, que também contribuiu com a ciência nacional e internacional por meio dos trabalhos do Nupens sobre a classificação Nova, alimentos ultraprocessados e o Guia Alimentar para a População Brasileira, ressalta a importância do reconhecimento feminino na ciência.  “É uma grande honra estar entre as 22 mulheres reconhecidas, mas o fato de representarmos apenas 20% da lista lembra que ainda temos um longo caminho para alcançar maior equidade de gênero na ciência”.

Para ela, estar na lista Bori-Overtonr é “muito significativo, um reconhecimento não apenas da pesquisa que fazemos, mas do impacto concreto das evidências produzidas nas políticas públicas e decisões que melhoram a vida das pessoas”, afirma.

Fernanda conta que, nos últimos anos, tem desenvolvido estudos sobre o consumo de alimentos ultraprocessados em diferentes contextos internacionais, incluindo a população britânica, onde esses produtos “já representam mais da metade das calorias consumidas”, diz. “Esses trabalhos têm contribuído para evidenciar os impactos globais dos alimentos ultraprocessados e reforçar a importância de políticas públicas que promovam sistemas alimentares mais saudáveis, parceria fundamentais para ampliar a visibilidade da ciência brasileira sobre alimentação e saúde”, afirma.

 

Impactos no campo da saúde e ambiente

Os líderes da lista -César Gomes Victora (Ufpel), Carlos Augusto Monteiro (USP), Aluísio Barros (Ufpel), Paulo Saldiva (USP) e Pedro Hallal (Ufpel)- possuem atuações nos campos da saúde ou saúde e ambiente. Juntos, somam mais de 5.500 citações em documentos ligados a decisões públicas.

Victora possui 231 trabalhos acadêmicos mencionados em 3.109 documentos de políticas públicas. Sua produção influenciou sobretudo as ações de aleitamento materno e embasou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança no Brasil, fundamentando relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre desenvolvimento infantil, texto que impactou quase duas centenas de outros documentos em 21 países, segundo a Bori. Victora é professor Emérito de Epidemiologia da Universidade Federal de Pelotas (Ufpel).

Já o 3º no ranking, Aluísio Barros (Ufpel), também epidemiologista, contribuiu para políticas de saúde materno-infantil e avaliação de programas sociais. Paulo Saldiva (USP) é patologista e pesquisador de referência em poluição do ar e saúde urbana; e o epidemiologista Pedro Hallal (Ufpel), reconhecido por liderar inquéritos nacionais de prevalência de Covid-19 e pela atuação na promoção da atividade física.