Estudo recém-publicado na renomada revista Journal of Food Composition and Analysis (Elsevier) identificou altas concentrações de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) em óleos vegetais, chá-mate seco, sementes de guaraná e queijo coalho. A pesquisa “A Comprehensive Review of the Occurrence of Polycyclic Aromatic Hydrocarbons (PAHs) in Brazilian Foods and Its Implications for Global Food Safety” reúne dados nacionais e internacionais sobre a presença de hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPAs) — compostos reconhecidamente carcinogênicos — em alimentos produzidos no Brasil.
O grupo de pesquisadores ligados ao Laboratório de Componentes Alimentares e Saúde (LABCAS), coordenado pela professora Elizabeth Torres, do Departamento de Nutrição da FSP-USP, vem desenvolvendo uma série de pesquisas sobre a presença de hidrocarbonetos e já analisou a ocorrência dessas substâncias em produtos cárneos, em chocolates e também em salames.
O trabalho produzido em parceria com o Instituto Adolfo Lutz analisou diferentes categorias de alimentos. Segundo os pesquisadores, os HPAs podem ser formados tanto por contaminação ambiental (como poluição do solo e do ar), quanto por processos industriais e caseiros de preparo de alimentos – como secagem, torrefação e defumação.
“Os achados acendem um sinal de alerta para a segurança alimentar no Brasil, sobretudo em alimentos tradicionais e regionais que são consumidos diariamente e, muitas vezes, exportados para outros países”, afirma a professora Elizabeth.
O Brasil desempenha um papel crucial na segurança alimentar global. Nesse sentido, o artigo destaca a urgente necessidade de políticas públicas equilibradas que promovam o crescimento econômico sustentável, a preservação ambiental e o bem-estar das populações afetadas, além de programas de monitoramento e regulamentações específicas para reduzir os riscos e proteger a saúde dos consumidores.
A pesquisa é assinada por Glória M. Guizellini, (aluna de doutorado) Simone A. Silva, (pesquisadora do IAL) Adriana P. Almeida, (pesquisadora do IAL)Rosana A. M. Soares-Freitas, Elizabeth A. F. da S. Torres (responsável pelo laboratório) e Geni R. Sampaio. (líder do projeto)
Confira o artigo completo: https://doi.org/10.1016/j.jfca.2025.107848
