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Alimentação decolonial: você sabe o que é?

Decolonizar a alimentação é valorizar alimentos que são provenientes do território em que habitamos, assim como as técnicas e saberes dos povos originários. Durante o período em que o Brasil foi colonizado, a tomada das terras e dos corpos, junto ao controle econômico, suprimiu as singularidades e a cultura alimentar dos povos originários e do continente africano, além de negar as suas técnicas e saberes.

A interferência da colonização na nossa culinária não se restringiu apenas ao que consumir, mas também em como. Em uma perspectiva mais literal, até os próprios utensílios utilizados para a alimentação, como o prato, foram atravessados pela lógica dos colonizadores.

⚠️ O Brasil tem uma grande variedade de alimentos. Contudo, eles não são tão valorizados quanto aqueles de fora. Isso faz com que os alimentos nativos sejam deixados de lado. Assim, incentiva-se a importação de alimentos, a padronização da alimentação e o plantio de commodities, que serão exportadas para os países desenvolvidos.

Os grãos cultivados são em grande parte destinados à ração animal ou para a produção de alimentos ultraprocessados, associados com problemas à saúde, como obesidade, diabetes e câncer. Para se ter uma ideia, os três alimentos mais produzidos no Brasil são monoculturas voltadas para exportação: cana-de-açúcar, soja e milho.

Apenas em 2022, produzimos 724,4 e 120,7 milhões de toneladas de cana e soja, respectivamente. Ao mesmo tempo, a quantidade produzida de mandioca, um alimento nacional, foi só de 17,6 milhões. Quando pensamos em outros alimentos, esse valor tende a ser muito menor, mostrando como a nossa biodiversidade não é valorizada ou mesmo reconhecida.

Compreender o potencial do Brasil na produção de alimentos nativos, as técnicas e os conhecimentos ancestrais é uma das maneiras de dar o direito da população decidir sobre políticas agrícolas e alimentares a partir de diferentes pontos de vista e formas de viver, levando em considerando a nossa história e cultura.

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Post por Lucia Gabriela (@lugabrielas), baseado no texto escrito por Letícia Gonçalves (@le1ticia), Vanessa Cançado (@vanessa.costacancado) e Alessandra Nahra (@alenahra)

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