Dia da Consciência Negra (3)

Mulheres negras e a dupla carga de má nutrição

No dia 20 de novembro é celebrado o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra! Esta data, antes de tudo, serve para nos relembrar como a luta pela igualdade racial é essencial e está longe do fim. Atualmente, a obesidade e a desnutrição, componentes da dupla carga de má nutrição, são entendidas como fenômenos que coexistem no mesmo espaço e tempo, compartilhando fatores em comum. Apesar de ocorrer em nível global, a má nutrição tem afetado sobretudo algumas populações, como as mulheres negras.

Sabemos que a fome tem cor e gênero!

Dados do II VIGISAN mostraram que a prevalência de insegurança alimentar grave foi de 7,8% em lares cuja pessoa de referência era um homem branco. Quando esse lar era chefiado por uma mulher negra, esse percentual foi de 22,0%!

Isso significa que a prevalência de fome nesses domicílios foi quase três vezes maior

Isso se reflete em baixo peso, certo? Não necessariamente!

Um estudo conduzido com dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares demonstrou que a prevalência de excesso de peso foi maior em mulheres negras em relação às brancas

O baixo peso e o déficit de estatura também foram maiores em mulheres negras, com prevalência de 4,5 e 5,3%, ou seja, 1,1 e 1,3 ponto percentual a mais em relação às mulheres brancas, respectivamente. O baixo peso em homens, tanto brancos quanto negros, não chegou a 2%, e o déficit de estatura foi de praticamente zero!

Embora esses estudos não tenham se debruçado sobre os fatores associados a esse quadro, suposições são possíveis. A primeira delas é que as mulheres, de forma geral, ainda possuem menor renda e maior trabalho não remunerado, quando comparadas aos homens!

Isso limita o acesso a uma alimentação mais saudável, fazendo com o que consumo de ultraprocessados e alimentos ricos em carboidratos seja maior, o que aumenta o risco de excesso de peso. Ainda, mulheres tendem a deixar de se alimentarem para que as crianças do domicílio possam comer, limitando a alimentação tanto em qualidade quanto em quantidade. Soma-se a isso o fato de pessoas negras viverem, em sua grande maioria, nas periferias, que geralmente são locais de desertos alimentares, em que a disponibilidade de alimentos saudáveis é baixa ou inexistente!

Post por Alisson Machado (@alissondmach)

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